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Carlos Sperança

Municípios quebrados e a Câmara Municipal de Porto Velho se transformou num parlamento de baixarias


Municípios quebrados e a Câmara Municipal de Porto Velho se transformou num parlamento de baixarias - Gente de Opinião

Municípios quebrados

Municípios que não arrecadam o suficiente para os gastos obrigatórios ou que apresentam baixa qualidade de vida deveriam ser extintos ou socorridos? A primeira hipótese causaria transtornos e a segunda leva a novas questões: haverá dinheiro para tanto socorro? De onde ele virá? Será fácil tirar de onde está para novos destinos? Como será feita a distribuição dos recursos?

A triste verdade é que a Amazônia tem algumas das cidades com pior qualidade de vida e municípios cuja arrecadação não supre as necessidades dos cidadãos, além de acumular dívidas. É uma situação difícil, mas já que ninguém quer acabar com os municípios, é um quadro que precisa ser encarado com viés resolutivo. O que leva a uma nova e séria questão: como?

Para responder a tudo é preciso, logo de saída, observar que não é uma realidade estritamente amazônica. Muitos – perto de 40% – dos 5.569 municípios brasileiros têm baixa capacidade fiscal e administrativa e não movem uma palha nem compram um alfinete sem ajuda da União e dos estados.

Preocupa é que alguns dos mais sofridos se encontram de fato na Amazônia. Considerando a dificuldade para incorporar os municípios em pior situação a grandes vizinhos restaria só uma hipótese razoável: mantê-los sob distritos estaduais, sem perda de nome ou identidade, mas com administração mais barata. O que novamente traz a questão elementar: como fazer?

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Câmara de baixarias

Ao invés de fiscalizar os atos do Poder Executivo e atender as demandas da população, a Câmara Municipal de Porto Velho se transformou num parlamento de baixarias, com vereadores se estapeando com adversários de quando em quando. Urge uma renovação nos quadros daquela casa de leis, de onde despontam 17 candidatos a deputado estadual. Imaginem que espécie de representação política se os edis da capital chegaram ao parlamento estadual. O legislativo mirim tem tradição em baixarias e a coisa bem de longe, desde a década de 80. Lembram da então vereadora Raquel Cândido?

A disparidade

Nem precisa pesquisar muito. É enorme a disparidade entre  os resultados das pesquisas atinentes as eleições ao governo do estado em outubro já divulgadas pelos institutos de sondagens eleitorais em Rondônia. Existem resultados para todos os credos. Infelizmente temos uma tradição em Rondônia em fraudar pesquisas tentando influenciar o eleitorado. A coisa não deve dar muito resultado pois temos constatado favoritos nas pesquisas tubularem gloriosamente nas urnas. Porto Velho está habituada a candidatos saírem na rabeira e ganhar de virada, como Roberto Sobrinho, Hildon Chaves e o próprio atual prefeito Leo Moraes.

A confirmação

Num ato inexpressivo, com uma nominata de candidatos a Assembleia Legislativa sofrível e uma relação de postulantes à Câmara dos Deputados insignificante o MDB de Rondônia lançou a candidatura do professor universitário Pedro Adib ao governo de Rondônia. Com estes dados estarrecedores me perguntaram porque considero Abib uma possível surpresa nas eleições de outubro. Primeiramente porque o MDB tem estrutura e recursos e está acostumado a grandes viradas no estado. Foi o partido que mais emplacou governadores. Descontando Bengala, em 86, que político expressivo partido elegeu? Nem Raupp, tampouco Confúcio eram favoritos quando disputaram o então Palácio Presidente Vargas. Ganharam tudo de vira-vira.

Lideranças emergentes

Lideranças emergentes em Porto Velho, como Célio Lopes e Euma Tourinho, a vice-prefeita Magna, além de nomes do porte de Joliane Fúria (Cacoal) vão medir forças com os atuais deputados estaduais e federais nas eleições de 2026.Como existem fortes indícios de grandes renovações nos parlamentos estadual e federal, que os atuais deputados fiquem desde já com os cabelos em pé. Mesmo porque a Câmara de Vereadores da capital geralmente assegura dois vereadores na casa de leis estadual. Marcio Pacele e Elis Regina são dois nomes bem cotados na temporada. 

Ciro na cabeça

O ex-ministro Ciro Gomes que desistiu de disputar a presidência da República largou bem na peleja pelo governo do Ceará num estado onde o PT tem evidenciado muitas lideranças, desde prefeitos e governadores eleitos. Por lá, Ciro Gomes tem apoio até dos bolsonaristas, que ele rejeitava até pouco tempo. Deverá fazer dobradinha no estado a presidência, com o deputado federal Aécio Neves, ex-governador e ex-senador por Minas Geais, liderança exponencial dos tucanos na temporada. Sendo eleito, Ciro começa o processo de ressurreição política depois de derrotas seguidas.

Via Direta

*** Como o ex-senador Acir Gurgacz está habituado a emplacar deputados federais em todas as eleições em Rondônia, como já foram os casos de Marcos Rogério e Silvia Cristina, a bola da vez em 2026 é o candidato Célio Lopes, de Porto Velho *** De licença na Assembleia Legislativa,  o deputado estadual Laerte Gomes se movimenta nos bastidores para garantir a façanha mais uma vez de ser o parlamentar estadual mais votado no estado *** Com a postulação da deputada Silvia Cristina aso Senado, a disputa de uma cadeira a Câmara Federal por Ji-Paraná ficou aberta para o ex-prefeito Jesualdo Pires que já está correndo o estado.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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