Porto Velho (RO) domingo, 25 de outubro de 2020
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Anísio Gorayeb

Dia da Independência


Foto: Acervo Esron Menezes) - Gente de Opinião
Foto: Acervo Esron Menezes)

Pode até parecer exagero, mas lembro-me como se fosse hoje, das preparações para o desfile do Dia da Independência do Brasil, que neste ano completa 198 anos. 

Tudo muito diferente dos desfiles atuais e ainda mais nesse ano de 2020, um ano atípico devida a pandemia, que por segurança não haverá desfiles, o que é compreensível.

Muita coisa mudou, a começar pela abertura da semana da pátria. Desde a época do Território, no dia 1o. de setembro acontecia em frente ao Palácio Presidente Vargas, a solenidade de abertura da Semana da Pátria. 

Todas as autoridades civis, militares e eclesiásticas, tanto do estado, como do município e da união compareciam a este ato solene.

Sou de uma geração em que tínhamos orgulho de desfilar no dia 7 de setembro. Época em que tínhamos lição de civismo e aprendíamos muito cedo a amar a pátria. Tempo em que cantávamos o Hino Nacional, Hino a Independência e Hino a Bandeira. Haviam duas disciplinas chamada Organização Social e Política do Brasil (OSPB) E Educação Moral e Cívica. Apreendíamos sobre a função de cada um dos poderes e as atribuições dos vereadores, deputados, senadores, governadores e prefeitos e etc.

Quanto ao desfile da independência, era obrigatório para todos os alunos. Mas isso não era problema, pois todos tinham orgulho de “marcar o passo” e desfilar com muito garbo pela sua escola. Orgulho maior ainda, quando éramos escolhidos para conduzir uma das bandeiras, ou abrir um dos pelotões.

Logo após as férias de julho, todas as escolas iniciavam os ensaios para o grande dia. Havia também muita rivalidade entre as escolas, pois todas se esmeravam para realizar um desfile perfeito. Esta rivalidade ocorria sempre entre as escolas públicas e privadas. As escolas privadas eram apenas duas: o Colégio Dom Bosco, apenas com alunos do sexo masculino, e o Colégio Maria Auxiliadora, que era feminino. As maiores escolas públicas eram: Castelo Branco, Carmela Dutra, Barão do Solimões e Estudo e Trabalho.

O uniforme de gala era confeccionado pelos alfaiates ou pelas costureiras, que na época eram muitas. Tínhamos que ir “provar” várias vezes antes do arremate final. Na véspera do desfile engraxávamos os sapatos e nossas mães passavam nossos uniformes para no dia seguinte estar tudo pronto.

Nem dormíamos direito de tanta ansiedade. Era muita emoção descer marchando a Avenida Presidente Dutra, em frente ao antigo Porto Velho Hotel, hoje Reitoria da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Nessa época o uniforme de gala do Colégio Dom Bosco era calça e camisa manga longa branca e gravata preta (Foto). Somente quando o colégio passou para Rua Almirante Barroso é que o uniforme passou a ser com blusa de malha vermelho e branco.

Os alunos que tinham bicicletas as levavam para a escola com bastante antecedência para serem decoradas com papel crepom e fitas nas cores verde e amarela. No dia do desfile esses alunos desfilavam orgulhosamente empurrando suas bicicletas decoradas.

Outro ponto alto dos desfiles eram as bandas macias que ensaiavam exaustivamente para fazer bonito no dia do desfile. As bandas das escolas tinham um grande número de instrumentos de sopro o que dava maior brilho ao evento. No último ano que desfilei Colégio Dom Bosco, em 1971, a banda formou uma grande âncora em frente ao palanque oficial. A âncora é o símbolo dos colégios salesianos.

Além do desfile de Inferências no dia 7 de Setembro, algumas escolas também desfilavam no dia 13 de setembro, em comemoração a criação do Território Federal do Guaporé, ocorrida em 13 de setembro de 1943.

Bons tempos, muita saudade, boas lembranças!

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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