Porto Velho (RO) quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
×
Gente de Opinião

Amazônias - Gente de Opinião

Amazônias

Turismo na fumaça - Professor Nazareno


Turismo na fumaça - Professor Nazareno - Gente de Opinião
Porto Velho, a capital de Roraima, é o cu do mundo. Disso quase todo mundo que tem o azar de morar por aqui sabe. Claro que essa comparação não é para ofender ninguém, pois se deve respeitar essa parte do corpo humano. Sabe-se também que é a última dobra do esfíncter anal e que tem talvez a pior qualidade de vida dentre as capitais do país. E nesta época do ano, a fumaça tóxica das criminosas queimadas dão o toque urbano característico da cidade. Estamos no início de setembro, em pleno verão nesta parte do Brasil, com temperaturas beirando os 40 graus, umidade relativa do ar muito baixa e fumaça sufocante. Visitar a cidade só se for a negócios. Turismo neste buraco quente e asfixiante nem pensar. O apelido de antessala do inferno é fácil de entender se alguém passar pelo menos uma hora andando por suas ruas quentes e sujas.

Por isso, o desfile de sete de setembro em Porto Velho é algo patético no meio de todo este ambiente infernal. Pelotões se perdem em meio à densa camada de fuligem. Pior: o Corpo de Bombeiros, ironizando a todos os presentes ali, desfila seus modernos carros de combate a incêndios florestais. Autoridades se cumprimentam e o povão aplaude a todos no meio daquele verdadeiro inferno na terra. Entra ano e sai ano e a fumaça densa atormenta os moradores. Crianças e velhos doentes lotam os poucos e despreparados hospitais públicos. Rinite alérgica, asma, bronquite, sinusite e outras doenças da estação é o que mais se observa nesta época. Uma vergonha se levarmos em consideração que aqui temos Bombeiros, SIPAM, Sivam, Sema, IBAMA dentre muitos outros órgãos responsáveis pela defesa do meio ambiente e das florestas equatoriais.

Ninguém sabe qual a época do ano é a pior por aqui. Quando terminar este suplício sufocante, vêm as chuvas torrenciais com rajadas de ventos que derrubam árvores, torres de comunicação, sinais de trânsito e provocam as já famosas alagações com lama podre entrando nas residências feitas de palafitas. As ruas sem esgotos ou saneamento básico se enchem rapidamente de água contaminada e pútrida. Os poucos bueiros são tomados por lixo, papel, plástico e garrafas pet provocando um caos urbano só visto nas piores cidades do mundo subdesenvolvido. O martírio na “capital do lixo” passa a ser movido a água. Só escapa da hecatombe quem tem a sorte de morar nos dois ou três únicos edifícios da urbe. Para completar a bagunça, a cidade não tem mobilidade urbana nenhuma. Moto táxis, táxis compartilhados e ônibus velhos completam o caos.

Sem nenhum acanhamento, os políticos estão agora à cata de votos. Mesmo aqueles que nada fizeram pela cidade. Na maior cara de pau os miseráveis prometem mundos e fundos para os sofridos eleitores porto-velhenses. Só que quanto menos eles fizerem por Porto Velho e por Rondônia mais chances eles terão de ser eleitos. Essa rotina amaldiçoada se repete a cada ano que tem eleições. Nenhum deles promete, por exemplo, acabar com a fumaça e o lodaçal, marcas registradas das duas únicas estações climáticas da cidade. Passam-se as eleições, sai verão, entra inverno e a rotina de sofrimento e angústias continua a nos fazer companhia. Para fazer turismo na “capital da fedentina” é necessário usar máscara no verão e botas sete léguas no inverno. As campanhas do governo do Estado, em outdoor e cartazes, para acabar com as queimadas não são lidas porque há muita fumaça. Turismo em Rondônia: estágio para o inferno.

*É Professor em Porto Velho.

Mais Sobre Amazônias

Sebrae lança novos editais do Inova Amazônia para atuação em sete estados brasileiros

Sebrae lança novos editais do Inova Amazônia para atuação em sete estados brasileiros

O Sebrae vai selecionar projetos para desenvolver negócios inovadores que fortaleçam a bioeconomia em sete estados que fazem parte do Bioma da Amazô

Vivência em Bioconstrução traz saberes ancestrais mesclados às novas tecnologias sustentáveis

Vivência em Bioconstrução traz saberes ancestrais mesclados às novas tecnologias sustentáveis

O Projeto Terra Cura de Reflorestamento e Permacultura realizará próximo dia 18 (sábado) uma Vivência em Bioconstrução na primeira casa de hiperadob

História de crimes do ex-ministro Sales precisa ser reescrita para não ser esquecida

História de crimes do ex-ministro Sales precisa ser reescrita para não ser esquecida

A imprensa tem memória curta. Faz parte da história das redações de jornais esquecer os personagens que se envolvem em episódios polêmicos logo que

Dia da Amazônia - Qual o papel da maior floresta tropical do planeta no combate ao aquecimento global?

Dia da Amazônia - Qual o papel da maior floresta tropical do planeta no combate ao aquecimento global?

A Amazônia é um bioma que inclui a maior floresta tropical do mundo, com a maior riqueza em biodiversidade do planeta, além de ser uma importante fo