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Produção sustentável sem uso de fogo na Amazônia já está sendo exportada



Sustentabillidade focada na conservação ambiental e melhoria da renda com produção sem causar danos à floresta é a proposta Ambiental do Projeto Amazônia Sem Fogo, iniciado no Acre há dez anos e que hoje tem oito unidades de orientação aos produtores em toda a região amazônica.

Só no Acre existem seis unidades demonstrativas desse projeto, que além de utilizar a mucuna como ferramenta para a recuperação de terras degradadas sem uso de fogo nem mecanização, também integra em suas ações o manejo de pastagens para a pecuária leiteira, a implantação de sistemas agroflorestais, a produção de mudas de frutas cítricas além de frutas e essências florestais típicas da Amazônia. 

Esse projeto, que acontece graças à parceria entre o governo brasileiro com a Agência de Cooperação Italiana, vem sendo executado pelas ongs Pachamama da Amazônia e Associação Mapinguari. Os resultados ambientais, especialmente o retorno financeiro que vem sendo alcançado pelos produtores rurais, atraíram a atenção do governo da Bolívia, que também enfrenta sérios problemas com a derrubada e queimada de floresta, sobretudo nos departamentos do Beni e Pando, na fronteira com o Brasil.

Isso levou os governos do Brasil e da Bolívia a assinassem, no ano passado, um acordo de cooperação técnica através do qual uma comitiva de membros do governo daquele país participaram do Seminário Amazônia Sem Fogo, realizado nos dias 23 e 24 de fevereiro no Centro de Ensino Profissionalizante Campos Pereira, em Rio Branco. 


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Dentre os membros da comitiva estrangeira, também veio a diretora executiva de Meio Ambiente da Corporación Andina de Fomento (CAF), Rosário León. “Ficamos muito admirados com os resultados alcançados por esse projeto Amazônia Sem Fogo em toda esta região, por isso viemos conhecer os resultados práticos dele no Estado do Acre onde pudemos comprovar sua eficiência. Vamos começar financiando projetos semelhantes a este na Bolívia, em seguida no Peru e Equador que também sofrem danos ambientais causados pelas queimadas da floresta. A meu ver, a grande vantagem desta experiência está em conservar a floresta e melhorar a renda familiar de forma produtiva e progressiva, em fim, de um modo sustentável dos pontos de vista ambiental e econômico e socialmente justo”, disse León.

A CAF representada por Rosério León é um banco que trabalha com dinheiro depositado pelos países acionistas, a exemplo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid), a qual, tem sede principal em Caracas na Venezuela. Atuando como instituição financeira multilateral que apoia ações de desenvolvimento sustentável nos países acionistas e promove a integração regional Latino Americana. 

Até o ano passado o Brasil mantinha apenas uma participação representativa dentro da CAF, sendo agora membro efetivo, o que permite que ações de proteção ambiental ou de responsabilidade social a serem realizadas ou em realização por instituições públicas, Ong´s e empresas privadas, a exemplo do que já acontece em países como o Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, México e Espanha.

Os financiamentos, segundo Rosário, podem abranger ações em áreas técnicas ou estratégicas, como é o caso dessa transferência de tecnologia do Projeto Fogo para a Bolívia, que tem como objetivo garantir a conservação da floresta Amazônica focando não apenas a questão ambiental, mas a melhoria das condições de vida do homem que vive na floresta e menos no mercado.

Já Hermes Daniel Zuazo Oblitas, do departamento da avaliação e monitoramento técnico de projetos do Programa Nacional de Cambio Climático do Ministério de Meio Ambiente e Água do governo da Bolívia, declarou-se impressionado com os resultados alcançados pelo projeto Amazônia Sem Fogo. “Os resultados são muito eficientes, principalmente no ponto em que melhoram progressivamente a renda das pessoas sem causar danos ambientais. A proposta é totalmente aplicável e replicável à proposta do governo Evo Morales, que preconiza a melhoria da qualidade de vida das pessoas tendo como prioridade as questões ambientais levando em consideração a floresta, a vida selvagem e o homem que nela vive. A mãe terra provê recursos e vida não só para o homem, mas para tudo. Por isso nossas ações não estão focadas na economia de mercado, mas na sustentabilidade”, destacou.

Além dos técnicos do projeto Amazônia Sem Fogo do Acre, também participaram do seminário representantes do Pará, Rondônia e Mato Grosso, que debateram, além da extensão e resultado das ações, também determinaram as que serão realizadas ao longo deste ano. O evento foi prestigiado com a presença de Roberto Bianchi, coordenador do projeto pela Agência de Cooperação Italiana, que financia as ações, e por Cassius Azevedo diretor, da Secretaria de Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério de Meio Ambiente do Brasil, além de Fabíola Lacerda, coordenadora nacional do Prev-fogo pelo Ministério do Meio Ambiente, que são parceiros do Projeto. 

Em nível estadual, o evento foi prestigiado pelo superintendente do Ibama, Anselmo Forneck, e pelo secretário de Assistência à Produção Familiar e Florestal (Seaprof), Nilton Cosson, cujos técnicos também atuam em parceria com o projeto Amazônia Sem Fogo em todos os seus escritórios espalhados pelo Estado. 

Fonte: Página 20 / Juracy Xangai

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