Porto Velho (RO) segunda-feira, 16 de setembro de 2019
×
Gente de Opinião

Amazônias - Gente de Opinião

Amazônias

Manaus oferece espaço para negócios e passeios imperdíveis na selva


Manaus oferece espaço para negócios e passeios imperdíveis na selva - Gente de Opinião
Parecem água e azeite: rios Solimões e Negro tentam se misturar, mas o esforço é em vão /SEFAZ AM

 

 

ADRIANA DAVID
Diário do Comércio (SP)

MANAUS, Amazonas – Ir a trabalho para Manaus, capital do Amazonas, pode ser muito prazeroso. Conciliar os eventos e reuniões com lazer é uma opção para os milhares de executivos que viajam à quente e úmida cidade brasileira. Há várias alternativas de passeio dentro ou nas proximidades do perímetro urbano.

A mais diferente é o Encontro das Águas, em que o turista é levado a ver os Rios Solimões e Negro se unirem. Eles tentam se misturar, mas todo o esforço é em vão. Avistando do alto de um barco da Amazona Explorer, que opera o passeio, em alguns momentos a visão é de uma linha retilínea, em outros, as águas dos dois rios formam várias curvas, como se estivessem brigando.

A mistura não ocorre por conta das diferenças de temperatura, densidade e velocidade dos líquidos. O Rio Negro corre de dois a três quilômetros três quilômetros/hora e é mais quente, sua temperatura oscila entre 25 e 26ºC. Já o Solimões tem velocidade de oito a nove km/h e fica em torno de 21ºC.

Além do programa emblemático, o barco vai até o lago das vitórias-régias. O turista desembarca, passa por um restaurante flutuante, onde experimenta peixes dos rios amazônicos, e por uma lojinha de artesanato, repleta de lembranças. Depois, caminha por uma passarela de madeira entre árvores, no melhor estilo “estou na floresta amazônica”. Espécies bem altas e o frescor faz você esquecer do calorão de Manaus. Então, avista-se a infinidade de vitórias-régias, novas e velhas. E o guia dá todas as informações: a melhor época para apreciá-las é em maio, quando mais florescem.


 

Manaus oferece espaço para negócios e passeios imperdíveis na selva - Gente de Opinião

Cada vitória-régia dura cerca de dois meses aberta. Sua flor pode ser branca, rosa e vermelha, mas em três dias morre /JARDIM BOTÂNICO RJ

 

 

Vitória-régia, palafitas e jacarés

São plantas que chegam a medir até dois metros de diâmetro e suas bordas, 40 cm de altura. Suportam de 15 a 20 kg espalhados em toda sua superfície. Cada vitória-régia dura cerca de dois meses aberta. Sua flor, que só abre à noite, pode ser branca, rosa e vermelha, mas é vista por pouco tempo, em três dias morre.

Ao longo dos rios, o turista visualiza casas em palafitas, comunidades flutuantes e passa por igarapés, que são as florestas inundadas. Nesses locais, vivem jacarés-açu, a maior espécie, que alcança seis metros. Bichos como esse também podem ser vistos no passeio da pescaria de piranha e na focagem de jacaré, que começa após as 15h e se estende até as 20h. A própria Amazon Explorer oferece o  programa,  mais procurado nos fins de semana pois grande parte dos turistas é de executivos que trabalham até o fim da tarde.

Outra razão é o custo. O passeio precisa de, no mínimo, duas pessoas e custa cerca de R$ 280. Se for formado um grupo de quatro pessoas, cai  para quase R$ 200. Além da focagem do animal, o turista pode segurar um. Talvez seja esse o ponto alto da viagem.

Mas se não houver coragem ou interesse em interagir com o jacaré, ou o tempo for curto para fazer o passeio, uma alternativa é conhecer alguns animais da região amazônica no Bosque da Ciência, na cidade. Lá tem jacaré-açu e jacaré-tinga, que medem até 6 metros e 2 metros, respectivamente. Tem também o peixe-boi, aliás, uma família inteira, ariranha, macaco-parauacu, peixe-elétrico e  outras espécies. Há ainda um museu que abriga a maior folha coletada na Amazônia. Foi retirada da árvore coccoloba em 1993 no Parque Nacional do Jaraú, em Rondônia.


 

Beleza arquitetônica

Manaus oferece espaço para negócios e passeios imperdíveis na selva - Gente de Opinião

Caesar Business Manaus: hotel quatro estrelas para profissionais de nível gerencial recebeu investimentos de R$ 55 milhões /DIÁRIO DO COMÉRCIO

Quer passear mais? Manaus tem o lindo e antigo Teatro Amazonas. Sua cúpula reúne 36 mil peças em cerâmica esmaltadas e telhas vitrificadas, vindas da França. Por sinal, 96% do material usado na construção  é proveniente da Europa, como o lustre de murano da Itália, a nogueira portuguesa, o bordô francês e o carvalho italiano, estes três últimos utilizados para o piso do Salão Nobre,  tombado em 1966.

Se não puder conhecê-lo por meio das visitas guiadas durante o dia, assista a espetáculos de dança, ópera ou concerto custeados pelo Estado da Amazônia desde 1997. Quase que diariamente, às 20h, há apresentações. Em algumas épocas, também são promovidos festivais de cinema e de jazz.

Na Praça São Sebastião, onde está o teatro, vá ao tradicional Tacacá da Gisela e não deixe de provar esse prato à base de tucupi, mandioca e jambu. Curioso para conhecer o mercado central? Não se decepcione, ele está sendo restaurado e não tem data certa para a reabertura. Especiarias, artesanato e peixes estão sendo vendidos em local ao lado de modo improvisado, os últimos em carriola (carrinhos de pedreiro). Os vendedores dizem que não tem problema e mesmo assim vale dar uma espiada.


 

Grupo Posadas aposta no Norte

Com a expansão econômica de Manaus, aumenta o número de companhias instaladas na cidade. Assim, a oferta de boas acomodações hoteleiras também tende a crescer para atender a um mercado em que a taxa de ocupação está em quase 80%.

O hotel Tropical Manaus, tradicionalíssimo, já não é mais a única opção de boas instalações na capital amazonense. Unidades das redes Ibis, Mercure e Comfort, reconhecidas mundialmente pelo padrão, já se instalaram na cidade. E recentemente, o grupo latino-americano Posadas abriu as portas do Caesar Business Manaus, um quatro estrelas voltado a profissionais de nível gerencial acima, que recebeu investimentos de R$ 55 milhões.

O empreendimento fica a 10 km do aeroporto e a 20 minutos do distrito industrial, onde se concentra uma das maiores riquezas econômicas do Brasil por causa da Zona Franca. As negociações levaram quatro anos e há possibilidades de novas unidades no Norte do País. “O grupo escolheu se instalar na cidade por ter planos de expansão na região e em outros países da América do Sul, como Chile, Uruguai, Argentina, Colômbia e Peru”, disse o diretor-geral do Posadas, Francisco Gutierrez.

Aberto em sistema de soft opening em julho, em dois meses o hotel obteve taxa de ocupação de 45%. É a primeira vez que a Engeco, incorporadora manauense especializada em edifícios residenciais de luxo e industriais, constrói um hotel. Segundo o diretor-administrativo, Maury Guerreiro, 75% do mercado hoteleiro em Manaus atende a área de negócios. Os executivos da companhia perceberam que havia carência no segmento. “Queríamos trazer qualidade ao empreendimento, por isso pensamos na parceria com o Caesar Business”, afirmou.

E o que significa qualidade para executivos? A Engeco considera um bom chuveiro, piscina e academia com vista para a cidade, um restaurante com padrão de qualidade (regional ou internacional), e atendimento eficiente e simpático. O Caesar Business Manaus tem tudo isso e, com exclusividade entre os hotéis do município, oferece tecnologia wi-fi gratuita no Business Center.

SERVIÇO

Caesar Business Manaus: Avenida Darcy Vargas nº 645, tel. (92) 3306-4700, 
www.caesarbusiness.com.  A partir de    R$  192, com café.

ONDE COMER 
Restaurante Banzeiro: Rua Maceió, 444, tel. (92) 3232-7468. Para comer uma saborosa costela de tambaqui. Tacacá da Gisela: Praça São Sebastião, centro. Tradicional tacacá na cidade.

FAÇA AS MALAS
Vacina: é obrigatória contra febre amarela, pelo menos dez dias antes da viagem.


Mais informações no www.anvisa.gov.br
Onde comprar artesanato: Central de Artesanato Branco e Silva, Rua Recife, 1999.
Passeios: com a Amazônia Explorers. Telefones (92) 3232-3052 e 3652-1128.

 

Mais Sobre Amazônias

Pesquisa faz levantamento de plantas utilizadas por parteiras tradicionais da Amazônia

Pesquisa faz levantamento de plantas utilizadas por parteiras tradicionais da Amazônia

Realizar partos é um conhecimento milenar transmitido de geração em geração pelos povos amazônicos. Com o objetivo de identificar os usos e espécies

Na Amazônia, sementes de plantas da várzea podem herdar ‘memória’ para sobreviver em época de cheia

Na Amazônia, sementes de plantas da várzea podem herdar ‘memória’ para sobreviver em época de cheia

É preciso olhar para cima para perceber a beleza grandiosa do mulateiro (Calycophyllum sprunceanum), árvore cujo tronco esbelto se direciona reto ao

Jovens lideranças ribeirinhas da Amazônia criam Rede de Gestores Comunitários

Jovens lideranças ribeirinhas da Amazônia criam Rede de Gestores Comunitários

A região do Médio Solimões, no Amazonas, abriga centenas de comunidades ribeirinhas, presentes também nas diversas unidades de conservação da área.

Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta pode ser extinto nos próximos 40 anos, mostra pesquisa

Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta pode ser extinto nos próximos 40 anos, mostra pesquisa

Pequeno e ágil, o amazônico macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (Saimiri vanzolinii) corre o risco de ser extinto nas próximas décadas. Isso porque as mu