Porto Velho (RO) domingo, 12 de julho de 2020
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Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta pode ser extinto nos próximos 40 anos, mostra pesquisa

Endêmico da Reserva Mamirauá, primata é ameaçado por mudanças climáticas


Primata tem a menor distribuição geográfica das Américas (Foto: Júlia de Freitas) - Gente de Opinião
Primata tem a menor distribuição geográfica das Américas (Foto: Júlia de Freitas)

Pequeno e ágil, o amazônico macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (Saimiri vanzolinii) corre o risco de ser extinto nas próximas décadas. Isso porque as mudanças climáticas devem trazer transformações irreversíveis ao habitat do primata com a menor distribuição geográfica das Américas.  

As previsões são dos pesquisadores Rafael Rabelo, do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa) e Fernanda Paim, líder do Grupo de Pesquisa em Biologia e Conservação de Primatas do Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).  

Efeitos de mudanças climáticas  
O aumento na temperatura média e dos períodos de seca, a diminuição da precipitação e as mudanças na dinâmica de vazão e inundação dos rios são algumas das consequências de mudanças climáticas na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, área de florestas de várzea na Amazônia onde está localizado o habitat do primata, restrito a apenas 870 km².  

“Para sobreviver, a espécie terá de enfrentar drásticas mudanças nas condições climáticas com as quais está acostumada”, explica Rabelo. 


Os pesquisadores realizaram projeções para os anos de 2050 e 2070 de acordo com dois cenários de emissão de gases-estufa na atmosfera reconhecidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas.  

Os resultados preveem uma drástica perda de adequabilidade climática para a espécie em sua atual área de distribuição.  Com isso, o primata possui grandes chances de enfrentar a extinção nas próximas décadas.  

A pesquisa também indicou que áreas onde hoje o primata não ocorre se tornarão adequadas à sobrevivência da espécie. “As pesquisas mostram que, no futuro, poderá haver um deslocamento no território adequado para a espécie para uma região longe de onde ela ocorre atualmente”, revela o pesquisador.   

Ou seja, para que o macaco-de-cheiro-da-cabeça-preta não seja extinto, ele terá que se adaptar às bruscas mudanças em seu habitat ou migrar para outras áreas.  

O estudo “Impacto das mudanças climáticas em uma espécie de primata ameaçada de extinção (Saimiri vanzolinii)” tem como objetivo basear discussões sobre potenciais estratégias de conservação, de forma a mitigar os impactos das mudanças climáticas para a espécie e garantir a sobrevivência do primata sob risco.  

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