Porto Velho (RO) quarta-feira, 13 de novembro de 2019
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Látex orgânico gera renda às famílias da Amazônia

Moradores de 75 comunidades de municípios paraenses são beneficiados com o investimento social da Fundação BB e do BNDES


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Desde que foi idealizada, a tecnologia social Encauchados de Vegetais da Amazônia vem proporcionando o desenvolvimento social, de forma sustentável,  em comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e de assentados da reforma agrária.

A metodologia combina técnicas indígenas no manuseio do látex para a produção da borracha. O líquido vulcanizante, que não deixa o látex perder a elasticidade e coagular, foi desenvolvido pelo pesquisador Francisco Samonek. O material misturado com fibras vegetais é usado na fabricação de toalhas de mesa, tapetes, sousplat (acessório utilizado como base para prato, que ornamenta o ambiente da refeição e protege a toalha de mesa), centros de mesa, porta-trecos, embalagens, bolsas, camisetas pintadas em blockprint (impressão xilográfica) com látex pigmentado, 50 variedades de folhas, marcadores de textos, estofamentos para móveis, biojoias, mantas decorativas, fios emborrachados, solados para calçados, chinelos, sandálias e palmilhas.

Em 2007, a inciativa foi vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na categoria Região Norte.  Neste ano, o Polo de Proteção da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais – Poloprobio, entidade responsável pela tecnologia social, foi contemplado no edital de Reaplicação de Tecnologias Sociais (Reaplica TS), da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para promover inclusão socioprodutiva das famílias de agricultores em situação de vulnerabilidade social, auxiliando na renda, com cidadania e respeito a cultura local.

O investimento social de quase R$ 1 milhão está sendo usado na aquisição de equipamentos para coleta do látex, máquinas de costura, moldes para o artesanato, treinamentos em sangria, artesanato, corte e costura,  biojoias e na compra de um carro. Serão beneficiadas 1.750 pessoas de 75 comunidades dos municípios paraenses de Acará,  Anajás, Belém, Belterra, Breves, Castanhal, Curralinho, Inhangapi, Oriximiná, Santarém e São Francisco do Pará.  

Protagonismo Feminino

A participação das mulheres no projeto é significativa.  Elas ocupam mais que dobro das colocações e abraçam a oportunidade como alternativa para a independência financeira. “Com mais essa parceria com a Fundação Banco do Brasil, buscamos o empoderamento e a emancipação das mulheres para obterem uma renda complementar, de forma contínua. Além disso, estamos proporcionando qualificação profissional para homens e mulheres”, destaca Maria Zélia Machado Damasceno, artesã, instrutora nos cursos de artesanato e coordenadora pedagógica dos Encauchados.

Maria Zélia também explica que a iniciativa traz benefícios não só para as famílias, mas também para o meio ambiente. “Para cada quilo de borracha produzido, um hectare de floresta é mantido em pé. Ao se qualificar profissionalmente, o agricultor/a familiar se habilita a se credenciar como produtor de borracha orgânica junto ao Ministério da Agricultura. Esse material é produzido por meio de uma tecnologia social que elimina a necessidade de uma usina de beneficiamento para que possa ser utilizado nas indústrias”, disse. A coordenadora faz pontuações importantes - “Para beneficiar um quilo da borracha na usina seriam gastos, no mínimo, 10 litros de água, pois a borracha convencional contém muitas impurezas e contaminações por microorganismos. A água que seria utilizada geraria efluentes que precisariam ser armazenados e tratados antes de serem devolvidos ao ambiente. Enquanto a borracha do produtor orgânico vai direto para a fábrica sem nenhum tratamento e transforma-se em produtos de mercado”-, finaliza.

Reaplica TS

Além desta reaplicação no estado do Pará, o edital selecionou entidades  das regiões do país - cinco do Nordeste, duas do Norte, duas do Sul, uma do Centro-Oeste e uma do Sudeste.  Os valores disponibilizados variam  entre R$ 500 mil e  R$ 1 milhão por proposta. As entidades com diretorias compostas por, no mínimo, 50% de mulheres ou que possuam tecnologia social certificada pela Fundação BB receberam bonificação extra, conforme os critérios do certame. O investimento total na seleção foi de R$ 10 milhões. Acesse aqui  para conhecer todas entidades habilitadas no Replica TS.

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