Porto Velho (RO) segunda-feira, 23 de setembro de 2019
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Amazônias

Indígenas viajam mais de quatro horas de 'voadeira' para votar na fronteira Brasil-Bolívia


 

XICO NERY
Amazônias

 


GUAJARÁ-MIRIM e NOVA MAMORÉ – De cima abaixo dos rios Mamoré e Pacaás Novos, respectivamente, pelo menos 900 indígenas de várias etnias votarão no pleito de hoje. De acordo com o chefe do escritório da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Guajará-Mirim, Joel Oro Nao, 43 anos, apenas as comunidades do rio Negro Ocaia, no Rio Pacaas Novos, no entono da cidade, e do distrito de Supresa, tiveram a oportunidade de vivenciar os benefícios da tecnologia com a urna eletrônica”.


Apesar de não dispor de dado a respeito do censo eleitoral das etnias sob a jurisdição da Funai, o servidor da Divisão de Pessoal Sued Policapo disse a Amazônias, que, pelo menos 400 indígenas devem votar numa seção no Rio Negro Ocaia. Nas outras eleições, houve dificuldades no deslocamento das lideranças, o que, segundo ele, pode ocorrer hoje por causa das fortes chuvas de sábado e madrugada deste domingo.


Além de Rio Negro Ocaia, as comunidades de Santo André, São Luís e Ricardo Franco, esta no distrito de Surpresa, foram orientadas pela Funai e pela Justiça Eleitoral a exercer o direito de voto nos locais mais próximos das dos postos indígenas. Apesar de possuir uma grande densidade eleitoral, Ricardo Franco não foi beneficiada pelo TRE com a instalação de urnas. Os eleitores de lá têm que se deslocar até Surpresa, a quatro horas e meia de voadeira (lancha rápida) de Guajará-Mirim.


Retardatários foram cedo procurar seções


Na cidade, os indígenas da etnia Oro Nao cadastrados em cima da hora – a mesma do chefe do escritório da Funai, Joel Oronao – se encontraram logo no início desta manhã para identificar os locais de votação. A maioria está na cidade desde a quarta-feira, mas na Casa de Apoio dos Indígenas, no Bairro 1º de Abril, os eleitores aguardavam um caminhão improvisado tipo “pau-de-arara” que os levariam para votar. Foi uma longa espera, informou Sued Policarpo.


No total, segundo ele, devem votar cerca de 900 indígenas até o final da tarde, mesmo com o tempo chuvoso. Nos locais de votação, em que pese o clima de tensão vivenciado em algumas escolas dos bairros Próspero, Santa Luzia, Jardim das Esmeraldas, Planalto e Comara, as eleições em Guajará-Mirim transcorrem com tranqüilidade, disse a uma emissora de rádio o comandante da Polícia Militar, major PM Marconato.
 

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