Porto Velho (RO) terça-feira, 23 de abril de 2019
×
Gente de Opinião

Amazônias - Gente de Opinião

Amazônias

Ibama e ICMBio já sofrem ataques ao conter desmatamento em Rondônia e no Pará


Ibama e ICMBio já sofrem ataques ao conter desmatamento em Rondônia e no Pará - Gente de Opinião

FABIANO MAISONNAVE
Folha de S. Paulo


Alvo de duras críticas do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o Ibama e o ICMBio sofreram ataques na Amazônia durante operações de combate ao desmatamento ilegal. O atentado contra o Ibama aconteceu às 22h do sábado (20), em Buritis, a 338 km de Porto Velho. Usando um galão de gasolina, um homem ateou fogo em três das dez viaturas do órgão estacionadas em frente a um hotel.

O fogo foi controlado por policiais, evitando que se espalhasse às demais viaturas. Um suspeito do ataque foi preso e autuado por dano ao patrimônio público.

Durante a confusão, um grupo de pessoas se aglomerou diante do hotel. Algumas delas passaram a incentivar a queima de outras viaturas e chegaram a romper o cordão de isolamento. A polícia conseguiu conter um segundo ataque e prendeu um dos incentivadores, de acordo com o boletim de ocorrência.

A pedido do Ibama, uma unidade de elite da PM de Rondônia foi deslocada até Buritis. O órgão ambiental também solicitou reforço da Força Nacional. A equipe do Ibama está em Buritis para uma operação de combate ao desmatamento, como parte do Plano Nacional Anual de Proteção Ambiental (Pnapa).

É a primeira vez neste ano que o Ibama tem viaturas incendiadas. Em julho do ano passado, um ataque queimou oito caminhonetes no sudoeste do Pará. Os veículos estavam sendo transportados em um caminhão-cegonheira.

No caso do ICMBio, o incidente ocorreu na sexta-feira (19) à tarde, no município de Trairão (PA), situado na BR-163 e a 1.395 quilômetros a sudoeste de Belém. Trata-se do primeiro ataque ao órgão ambiental neste ano em todo o país.

De acordo com o relato oficial, uma equipe estava na Floresta Nacional (Flona) Itaituba 2 para verificar um desmatamento detectado por satélite e combater o roubo de madeira.

Enquanto isso, foi queimada uma pequena ponte na única estrada de acesso. Áudios obtidos pelo ICMBio mostram que a ação foi orquestrada por moradores de Bela Vista do Caracol, distrito de Trairão, cuja economia depende de madeira ilegal e extração de palmito.

Quando a equipe estava parada na ponte queimada, um grupo de moradores se concentrou numa segunda ponte, a algumas centenas de metros. Agentes do ICMBio relataram ter ouvido tiros.

Acionada, a Polícia Militar conseguiu desmobilizar os moradores. Depois que os agentes do ICMBio improvisaram uma segunda ponte, os policiais escoltaram a equipe até a cidade de Itaituba.

Esses episódios ocorrem em meio a reiteradas críticas de Bolsonaro contra o Ibama e o ICMBio. Em pronunciamento logo após o primeiro turno, ele prometeu acabar com a “indústria de multas” dos órgãos ambientais.

“Vamos botar um ponto final em todos os ativismos do Brasil. Vamos tirar o Estado do cangote de quem produz”, prometeu, em referência aos órgãos ambientais.

A animosidade de Bolsonaro tem origem numa multa de R$ 10 mil que recebeu do Ibama após ser flagrado pescando dentro de uma unidade de conservação, em Angra dos Reis (RJ). Em retaliação, o deputado federal apresentou, em 2013, um projeto de lei que proibia agentes ambientais de portarem arma. Bolsonaro depois retirou a proposta, mas nunca pagou a multa.

Para agentes do Ibama e do ICMBio, as declarações de Bolsonaro alimentam a hostilidade contra os órgãos na Amazônia, onde já enfrentam dificuldades para atuar. No ano passado, por exemplo, os escritórios de ambos órgãos foram incendiados por garimpeiros ilegais em Humaitá (AM).

O capitão da reserva do Exército recebeu votação acima da média nacional (46%) nas regiões dos ataques. No Trairão, o candidato do PSL obteve 51,9% dos votos válidos. Em Buritis, o percentual chegou a 69,9%.

Ibama e ICMBio já sofrem ataques ao conter desmatamento em Rondônia e no Pará - Gente de Opinião

Mais Sobre Amazônias

Como fica a Amazônia, Sr. Presidente?

Como fica a Amazônia, Sr. Presidente?

Onde e como a Amazônia entra nessa história escrita por linhas tortas?

Pesquisadores iniciam campanha de captura científica de onças-pintadas em reserva na Amazônia

Pesquisadores iniciam campanha de captura científica de onças-pintadas em reserva na Amazônia

Capturas científicas acontecem periodicamente há mais de dez anos na Reserva Mamirauá. Objetivo dos cientistas é monitorar o movimento e área de vida

Instituto Mamirauá oferece curso de manejo de pirarucu na Amazônia

Instituto Mamirauá oferece curso de manejo de pirarucu na Amazônia

Curso está na nona edição e capacita profissionais para a implementação de sistemas de manejo de pirarucu. Interessados podem se inscrever até 15 de m

Instituto Mamirauá está à procura de bolsistas para o estudo de práticas agrícolas na Amazônia

Instituto Mamirauá está à procura de bolsistas para o estudo de práticas agrícolas na Amazônia

As bolsas têm duração de até cinco anos e são indicadas à pesquisadores com disponibilidade de trabalhar na Amazônia Central, nas reservas onde o inst