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Família de Wilson Pinheiro entrará no STJ para exigir R$ 4 milhões da Warner Bros


  

Família de Wilson Pinheiro entrará no STJ para exigir R$ 4 milhões da Warner Bros  - Gente de Opinião

Wilson Pinheiro, líder sindical no Acre: imagem deturpada no filme /ÁLBUM DE FAMÍLIA


Bancada parlamentar do Acre apóia pleito de parentes do sindicalista morto em 1980. Agora, eles apelarão a Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA 


MONTEZUMA CRUZ
Amazônias
 

BRASÍLIA – A família do Wilson Pinheiro recebeu nesta quarta-feira o apoio da bancada federal acreana para cobrar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) indenização no valor de R$ 4 milhões à empresa cinematográfica Warner Bros, pelo uso de imagem e da história daquele dirigente sindical no filme “Amazônia em chamas” (1994). Pinheiro foi morto a tiros em 21 de julho de 1980. 

Após a exibição de um documentário do cineasta Marcos Vicente, mostrando o surgimento do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, o coordenador da bancada, deputado Fernando Melo (PT-AC), propôs e foi aceito o envio uma carta de solidariedade à família e a distribuição de cópias “a quem possa interessar”. 

Após protestar contra o assassinato de Pinheiro, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores no Acre, o então sindicalista e futuro presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva foi enquadrado pelo regime militar na extinta Lei de Segurança Nacional. 

— Se 88% da floresta do Acre estão em pé, isso se deve à luta de homens corajosos que souberam resistir ao desmatamento — afirmou Melo. Entre os anos 1970 e 1980, o Acre perdeu parte dos antigos seringais para a atividade pecuária. Pinheiro e, depois Chico Mendes, lideraram “empates” contra os fazendeiros. 

A ação indenizatória dará entrada no STJ no próximo dia dois de abril. A bancada convidará entidades sindicais e movimentos sociais para acompanhar representantes da família Pinheiro durante esse ato. 

Al Gore, o próximo passo 

Família de Wilson Pinheiro entrará no STJ para exigir R$ 4 milhões da Warner Bros  - Gente de Opinião

Terezinha Pinheiro (mão no rosto) e filhos não foram consultados, nem indenizados, o que ocorreu com a viúva de Chico Mendes, IlzamarPinheiro / MONTEZUMA CRUZ


— Vim aqui para denunciar ao Brasil e ao mundo que a Warner Bros enganou seringueiros no Acre — disse o ativista Abrahim Farhat Neto, o Lhê, que participou da reunião. Ele ampliará essa denúncia no próximo dia 26, em Manaus (AM), quando pretende manifestar a insatisfação da família Pinheiro ao ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. 

Nesse dia, a capital do Amazonas receberá trezentos empresários e executivos brasileiros integrantes do Grupo de Líderes Empresariais que participarão do 1º Fórum Internacional de Sustentabilidade. 

Em 2005, a juíza Olívia Ribeiro condenou a Warner Bros a pagar R$ 160 mil à família. A quantia desagradou a família e a empresa logo contestou a decisão, por meio de advogados de São Paulo. E nada pagou. O caso quase foi esquecido, não fosse a ex-vereadora Hiamar Pinheiro, filha do sindicalista, ter novamente recorrido. Coube ao advogado Paulo Dinelli, de Manaus, propor a ação ao STJ.

Filme mostra violência na Amazônia 

Família de Wilson Pinheiro entrará no STJ para exigir R$ 4 milhões da Warner Bros  - Gente de Opinião

Bancada federal acreana reúne-se para se solidarizar com a família do fundador do PT no Acre, que acionará no STJ a Warner Bros /MONTEZUMA CRUZ

BRASÍLIA — Até hoje “Amazônia em chamas” está nas locadoras de vídeos do Brasil e do mundo. Não há informações sobre o quanto a Warner Bros lucrou com ele. Rodado no México, o filme ensaiou uma biografia do líder ecologista Chico Mendes, na defesa dos direitos humanos na Amazônia. 

Estrelado pelo porto-riquenho Raul Julia — que morreu poucos meses depois de seu lançamento — e pela brasileira Sônia Braga, “Amazônia em chamas” surpreendeu o público brasileiro por falhas técnicas e de conteúdo. Uma delas: o sindicalista Wilson Pinheiro, que era negro e alto, foi interpretado por um branco e cabeludo.

Pinheiro teve tanta importância quanto Mendes, cuja família fora consultada e indenizada pela empresa norte-americana. Oito herdeiros de Pinheiro nem sequer foram reconhecidos ou consultados. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia do qual ele foi o segundo presidente, surgiu com 890 sócios-fundadores e alcançou 4 mil na época dos “empates”. Foi o maior fenômeno de organização popular amazônica.

Dirigido por John Frankenheimer (de ‘’Ronin’’) e produzido pela HBO (canal de TV americano), “Amazônia em chamas” mostra as más condições de trabalho dos seringueiros, a derrubada da floresta e os “empates” feitos por seringueiros e posseiros contra a ação dos jagunços de fazendeiros da região sul brasileira. (M.C.) 

Família de Wilson Pinheiro entrará no STJ para exigir R$ 4 milhões da Warner Bros  - Gente de Opinião

Ativista Abrahim Farhat Neto, da Confraria das Revoluções Acreanas, defendeu a família Pinheiro e agora irá a Manaus, para se encontrar com o ex-vice-presidente americano Al Gore, a fim de sensibilizá-lo pela causa /MONTEZUMA CRUZ





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