Porto Velho (RO) terça-feira, 23 de julho de 2019
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De casa em casa, o censo dos seringueiros


De casa em casa, o censo dos seringueiros - Gente de Opinião

Família de Napoleão Rodrigues extrai látex, colhe castanha e produz sabonetes com essências da floresta na Resex do Rio Ouro Preto, em Guajará-Mirim /M.CRUZ

 

 
XICO NERY
Amazônias
 

PORTO VELHO, Rondônia – Depois de consultar moradores das 25 reservas extrativistas e agroflorestais do estado, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e do Ministério do Meio Ambiente, o novo presidente da Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR), Adão Laia Arteaga, 39 anos, fará nas próximas semanas o primeiro censo que mostrará qual o verdadeiro número de moradores nas reservas estaduais e federais.

Segundo Artiaga, a decisão foi tomada depois da constatação da existência de não-seringueiros à frente de associações e cooperativas da categoria, em desobediência à legislação vigente. É o caso da Associação dos Seringueiros de Machadinho do Oeste, a 347 quilômetros de Porto Velho. Presidida pelo técnico agroflorestal Antônio Flávio Barros Setúbal, a entidade estaria se recusando a pagar as mensalidades à OSR e a repassar as compensações advindas dos planos de manejo aos beneficiários das reservas. 
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Machadinho do Oeste: não-seringueiros irritam populações tradicionais e a situação é levada à Justiça /DIVULGAÇÃO



Quem é quem 

Amazônias apurou que o censo dos seringueiros obedecerá os critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Duas equipes, entre técnicos e diretores da OSR, irão percorrer casa a casa dentro das reservas estaduais e federais. 

— Assim, teremos um retrato fiel dos verdadeiros ocupantes dessas áreas — prevê Arteaga. Ele acredita que a medida colocará fim "aos estranhos no ninho dos seringueiros e extrativistas". 

Machadinho do Oeste expõe a preocupação maior dos diretores da entidade. Ali a reserva é ocupada por retirantes e moradores de cidades vizinhas. O fato foi levado ao conhecimento da Sedam, da Subcomissão de Assuntos da Amazônia, do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério Público Estadual e Federal. 

Esses setores recomendam que se faça uma contagem minuciosa das famílias que vivem e moram dentro das reservas. De acordo com os seringueiros, a presença do técnico florestal Antônio Flávio Barros Setúbal à frente da Associação de Seringueiros de Machadinho do Oeste (ASM) impossibilitaria avanços nas áreas da saúde, educação, habitação, melhoria da qualidade de vida das famílias. 

— Esse cidadão mistura defesa do agronegócio madeireiro com a não-assistência plena aos seringueiros — queixa-se Arteaga. Na opinião do presidente da OSR, é preciso que a ASM seja presidida “por um verdadeiro seringueiro”, e não por “estranhos no nosso ninho”. 

Venda irregular de madeira 

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União entre tradicionais ocupantes de reservas estaduais e federais é ponto de honra na atual discussão sobre o território extrativista em Rondônia /M.CRUZ

A OSR ajuíza esta semana duas ações na Justiça Federal e Estadual, respectivamente, pedindo a responsabilização do presidente da ASM e do ex-presidente da entidade, Osvaldo Castro de Oliveira, por negligenciarem a prestação de contas da comercialização de madeiras aos mercados dos Estados Unidos, Japão, Ásia e Europa. 

Exigirão, ainda, esclarecimento sobre os convênios firmados no período de 2003 a 2009 com a organização não-governamental WWF, Ministério do Meio Ambiente, Sedam e entidades privadas. 

Na Justiça Estadual, o presidente da OSR pedirá a anulação da eleição de Antônio Flávio, em Machadinho, por considerar que essa entidade deve ser presidida por seringueiros natos e seus descendentes. Pedirá também explicações sobre o suposto sumiço de 500 hectares (um talhão) de madeira que teria sido retirada de forma ilegal da Reserva Extrativista Aquariquara. 

Ele espera que Justiça decida por uma nova eleição na entidade: 

— Seringueiros foram induzidos ao processo que garantiu a ascensão de um estranho à categoria — acrescentou Areaga.

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