Porto Velho (RO) quinta-feira, 19 de setembro de 2019
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Amazônias

Acampados na BR-429 são atacados a tiros


  

EPAMINONDAS HENK e
XICO NERY
Amazônias

JI-PARANÁ, Rondônia – Disparos de armas de fogo a mando de fazendeiros brasileiros e italianos tanto podem atingir uma criança quanto um adulto. A cada dia o clima mistura angústia e incerteza no acampamento de sem-terras situado no Km 30 da Rodovia BR-429, no rumo do município de Alvorada do Oeste.

Acampados na BR-429 são atacados a tiros - Gente de Opinião
Sem-terra ameaçados por jagunços na rodovia pedem garantia de vida às autoridades rondonienses

A situação foi denunciada esta semana pela Comissão Pastoral da Terra neste estado, cobrando providências de autoridades e setores da sociedade civil organizada.

– Está em curso um conflito anunciado nas imediações da Fazenda Agropecuária Rio Ricardo Franco. Duzentas famílias de trabalhadores rurais ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) estão acampadas ali desde maio de 2009, à espera da resposta de um acordo entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Prefeitura e Câmara de Vereadores de Alvorada.

Nota distribuída pela CPT diz que o conflito ocorre “devido à postura do fazendeiro nos últimos dias”. “Entre os dias oito e dez, sempre de madrugada, um grupo de seis a sete homens armados vêm atacando o acampamento com tiros de armas de grosso calibre; no local se encontram famílias inteiras – mulheres, crianças, homens, jovens e idosos”.


 

Garantia de vida

A CPT alerta as instituições estaduais “para que possam intervir nos cuidados da integridade física das famílias e para o cumprimento da lei”.

Motivado pela necessidade de acesso á terra, o acampamento coordenado pelo MST faz estas denúncias e alinha as seguintes reivindicações: 1) Verificar a forma como uma fazenda adquirida de forma duvidosa pela referida agropecuária, numa sociedade entre dois brasileiros e um italiano; 2) O italiano parece ter controle sobre as ações. Sua suposta esposa é quem comanda as ações internas e externas da propriedade. Eles controlam um grupo particular que faz a segurança privada da área, de forma ilegal.

3) Desde o início do acampamento, as famílias representadas pelo MST acionaram o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, colocando o interesse pela área.

4) A situação das terras é ilegal, conforme previsto no artigo 190 da Constituição (aquisição da área sob controle de estrangeiros).

5) Crimes ambientais estão devidamente documentados nos órgãos de fiscalização (Ibama e Sedam) e na Polícia Federal. 6) Pede-se o cumprimento da função social da terra.

 

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