Sexta-feira, 13 de novembro de 2020 - 10h56

Cafeicultores
indígenas de Rondônia estão produzindo Robustas Amazônicos especiais e
sustentáveis que devem chegar em breve às mesas dos brasileiros. Trata-se de
uma linha de cafés finos chamada Tribos. Este produto é resultado de uma ação
de desenvolvimento social, que vai além da relação comercial e se baseia em um
modelo de produção sustentável. Este é o assunto da live que será realizada
pela Embrapa, em parceria com o Grupo 3corações, no dia 13/11, às 19 horas, no
horário de Brasília, no canal da Embrapa no Youtube (www.youtube.com/embrapa).
Participam
deste bate-papo o presidente do Grupo 3corações, Pedro Lima, da maior empresa
de cafés especiais do Brasil; a diretora-executiva de Inovação e Tecnologia da
Embrapa, Adriana Martin; a cafeicultora indígena Diná Suruí; o especialista e
consultor em processamento e análise sensorial de cafés especiais, Silvio
Leite, considerado uma referência no assunto, no Brasil e no mundo; o diretor
do Grupo Café do Moço e tetracampeão brasileiro de barismo, Leo Moço; a gerente
de Projetos Especiais da 3corações Patrícia Carvalho; e o pesquisador da
Embrapa Rondônia Enrique Alves, que atua com foco em colheita, pós-colheita e
qualidade do café. A moderação será da jornalista da Embrapa Rondônia, Renata
Silva.
As
ações voltadas para a produção de cafés especiais por indígenas de Rondônia
tiveram início em 2018, por meio de projeto de transferência de tecnologias da
Embrapa com três famílias produtoras de café na Terra Indígena Rio Branco, em Alta
Floresta d’Oeste. Este trabalho teve parceria da Secretaria de Agricultura do
Município e apoio da Fundação Nacional do Índio – Funai. Neste mesmo ano, o
indígena Valdir Aruá conquistou o 2° lugar no Concurso de Qualidade do Café de
Rondônia - Concafé e representou a cafeicultura do estado no estande de
Rondônia na Semana Internacional do Café, maior evento do setor do País, que
ocorre anualmente em Belo Horizonte.
Foi
neste estande, em novembro de 2018, que o Grupo 3corações conheceu os indígenas
e sua história com o café. Já em janeiro de 2019, representantes do Grupo
estiveram em Rondônia e deram início ao projeto Tribos, ampliando o trabalho
para 132 famílias indígenas produtoras de café no estado, localizadas nas
Terras Indígenas Sete de Setembro, no município de Cacoal, e Terra Indígena Rio
Branco, em Alta Floresta D’Oeste. O projeto conta com a parceria da Embrapa
Rondônia, Funai, Emater-RO, Secretaria de Agricultura de Alta Floresta
D'Oeste e Câmara Setorial do Café.
Atualmente,
estes cafeicultores indígenas produzem cerca de 1.300 sacas de café por ano,
que são adquiridas, em sua totalidade, pelo Grupo e valorizadas de acordo com
critérios de qualidade. Neste projeto, a 3Corações fomenta a assistência
técnica e extensão rural privada e pública, a partir das estratégias
tecnológicas definidas pela Embrapa Rondônia. Também oferece infraestrutura,
equipamentos e logística de escoamento da produção.
A ação agrega valor aos lotes de cafés especiais
que são adquiridos pela empresa pelo dobro do valor de commodity. Também
promove um concurso, valorizando a qualidade dos grãos produzidos e o
cafeicultor indígena. O campeão do concurso Tribos chega a ganhar R$30 mil e as
premiações vão até o 10º colocado. Além disso, 100% do lucro com a venda dos
Robustas Amazônicos de origem indígena serão revertidos para o Projeto Tribos.
Segundo
o pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves, o café produzido por essas
famílias indígenas e por toda a região é, cientificamente, reconhecido como
Robusta Amazônico. “Isso agrega origem e valor a um produto único que será, em
breve, reconhecida como a primeira Indicação Geográfica de Cafés Canéforas
(robusta e conilon) sustentáveis do mundo”, complementa o pesquisador.
Para
Alves, o café Tribos é único e transformador para a cafeicultura nacional.
Pois, em um único produto traz a história de vida e o reconhecimento do
trabalho indígena, a valorização dos cafés canéforas e um exemplo de produção
sustentável na Amazônia. “Poucas vezes uma parceria público/privada tem a oportunidade
de quebrar tantos paradigmas em um único trabalho, promovendo o desenvolvimento
econômico e social do país”, conclui.
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