Sexta-feira, 8 de março de 2019 - 10h58

Graviola, cupuaçu, acerola, maracujá, cacau. Essas são algumas das frutas que Cristina Alves e a família produzem na propriedade e que abastece a agroindústria de polpas, tocada a todo vapor por ela e, hoje, responsável pela maior parte da renda da família. Tina, como gosta de ser chamada, é um exemplo da importância e força da mulher na agricultura familiar em Rondônia, que vêm assumindo protagonismo cada vez maior nas comunidades quilombolas, indígenas e nas reservas extrativistas.
Essa história começou cerca de 10 anos atrás, quando a família passou a cultivar espécies frutíferas e florestais por meio de um dos projetos executados pela CES Rioterra. “Eu já tinha vontade de ter uma agroindústria, então quando ouvi falar do projeto numa reunião da associação, na mesma hora já quis participar, já preenchi o formulário, já marcaram uma visita. Eu só comuniquei a Adalto [o esposo]”, conta orgulhosa.
Com a orientação dos técnicos, Tina viu a área, antes desmatada, ganhar vida e dar frutos. “Insisti com Adalto e finalmente fizemos o financiamento. Hoje a gente atende a escolas, mercados, vende na feira. E de tudo a gente tem um pouco aqui: pupunha, castanha, pimenta do reino… estamos sempre produzindo”, conta ela.
Desde o ano passado, Tina também passou a ser beneficiária do projeto de Acesso à Energias Renováveis para Famílias Camponeses, executado pela Rioterra em parceria com a instituição alemã Misereor, e utiliza o biogás e o biofertilizante, gerados pelo biodigestor instalado na propriedade. O fogão a lenha foi abolido, trazendo economia de tempo, dinheiro e melhorando a qualidade de vida da agricultora. “Não inalo mais aquela fumaça, não preciso buscar lenha e ainda economizo o dinheiro da botija”.
O objetivo do projeto é justamente incorporar no planejamento de propriedades rurais amazônicas uma cultura de gestão de resíduos sólidos voltada à mitigação e adaptação aos impactos climáticos por meio da geração de energias renováveis e respeito às questões de gênero.
O biofertilizante é utilizado na horta, no pomar e nos demais cultivos da propriedade, trazendo economia, ainda, na compra de adubos.
No total, 13 kits de biodigestores já foram instalados nos municípios de Rio Crespo, Cujubim e Machadinho D’Oeste. A meta do projeto são 20, que serão instalados nos próximos meses.
Cerca de 200 agricultoras familiares, gestoras e professoras participaram já participaram de cursos sobre organização social e gênero, agroecologia, energias renováveis, gestão da propriedade rural e biodigestores, entre outras temáticas, e atuam como multiplicadoras na região.
Entre elas, Lorena Munari, também de Cujubim, que teve o biodigestor instalado em casa há cerca de sete meses. Além da economia de tempo e dinheiro – ela diz que com o biogás cozinha mais rápido e, antes, a família consumia duas botijas de gás por mês -, ela reativou a horta da propriedade, melhorando a qualidade e segurança alimentar da família. “Eu saio do curral e já vou direto pra minha horta. Vou colher meu almeirão, minha couve, cebolinha… tenho tudo aqui, e é saudável, porque eu sei o que eu uso. E, além de tudo, ajuda na despesa da família, já que não preciso gastar pra comprar fora”, reforça.
Mais de 55 hortas também já foram instaladas nos municípios, com o auxílio das extensionistas do projeto, que orientam sobre a utilização do biofertilizante e outras técnicas que dispensam o uso de qualquer tipo veneno na produção dos alimentos.
A mitigação e adaptação aos impactos climáticos e empoderamento da mulher e equidade de gênero são temas estão entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela ONU, que compõem a agenda 2030, e presentes em todos os projetos desenvolvidos pelo Centro de Estudos Rioterra em Rondônia.
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