Segunda-feira, 9 de março de 2026 - 16h11

A mudança de uma realidade no campo só começa de verdade a
partir da educação. Prova disso foi o auditório lotado por mais de 200
estudantes durante o seminário “Conexão Sustentável – O Futuro da Pecuária”,
promovido na última semana pela Ecoporé, por meio do projeto Escola da Pecuária
Sustentável. Com o olhar voltado para os futuros profissionais que atuarão lado
a lado com os produtores rurais, o evento mostrou a força da nova geração nas
ciências agrárias.
Realizado
no Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA) em parceria com a Embrapa, o
encontro teve um foco claro: agregar conhecimento aos acadêmicos — em sua
esmagadora maioria alunos de Medicina Veterinária, Agronomia e Zootecnia — e
provar que uma pecuária verdadeiramente sustentável é, sim, possível.
Além do
número expressivo de participantes, a energia do público chamou a atenção por
um dado inspirador: o protagonismo feminino. Com 52% da plateia formada por
mulheres, o evento evidenciou a força delas no setor. A juventude também ditou
o tom das discussões, com grande parte dos presentes na faixa dos 17 aos 20
anos.
Para a
coordenadora do projeto, Semirian Amoedo, essa forte adesão comprova o
sucesso da iniciativa. “O seminário foi um evento muito
positivo dentro do Projeto Escola da Pecuária Sustentável. Reuniu
principalmente estudantes de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia, o que
prova o quanto esse tema já faz parte da formação dos futuros profissionais do
campo”, avaliou.
Ainda
segundo Semirian, o engajamento ativo dos alunos faz toda a diferença: “Ver
mais de 200 estudantes interessados, que fizeram perguntas e participaram das
discussões, reforça que a nova geração quer produzir de forma mais responsável.
A pecuária do futuro precisa conciliar produção, conservação e renda, e formar
esses jovens com essa visão é essencial para transformar a realidade da
Amazônia”.
Para
consolidar essa mentalidade na nova geração, a ponte com as universidades é
essencial. Para a analista socioambiental da Ecoporé, Andryni Brasil, o contato
com a academia é uma ferramenta poderosa de transformação. “Realizar um evento
como este no ambiente acadêmico de graduação na área de Ciências Agrárias
possui grande relevância, pois proporciona aos estudantes o contato com temas
fundamentais para a formação profissional”, destaca. Ela reforça ainda que “a
abordagem sobre pecuária sustentável, os desafios enfrentados atualmente pelo
setor e as tecnologias disponíveis contribui para ampliar a visão dos futuros
profissionais e técnicos que atuarão na área” a analista socioambiental
explica.
A
pesquisadora da Embrapa-RO, Dra. Ana Karina, ressaltou que a troca de
conhecimento com os alunos foi um momento de reflexão e muita produtividade.
Ela enfatizou que a atividade pecuária, quando bem executada, é estratégica
para o Brasil, seja no cumprimento das legislações ambientais ou na abertura de
novos mercados.
A
especialista apontou que intensificar a produção e diminuir a pressão sobre o
meio ambiente é o primeiro passo. Além disso, ela reforçou a importância de
políticas públicas e tecnologias a favor da conservação
A
transição para uma produção mais responsável na Amazônia é o foco principal da
Escola da Pecuária Sustentável, que busca provar que a preservação ambiental
joga a favor do produtor. Durante o seminário da iniciativa, o Gerente de
Inteligência Territorial da Ecoporé, Flávio Santos, explicou que os serviços
ecossistêmicos gerados pela restauração florestal beneficiam toda a cadeia
produtiva, especialmente diante das novas exigências comerciais globais.
Essa
modernização do setor atende não apenas às leis brasileiras, mas também à
crescente demanda global pela redução do desmatamento associado a produção
agropecuária. “Existem compromissos de redução das emissões de gases de efeito
estufa (GEEs) assumidos pelo Brasil que se ligam à cadeia da pecuária, como os
que pautam a redução dos gases emitidos pela digestão dos animais, a
necessidade da recuperação de pastagens degradadas, a rastreabilidade da origem
dos bois e o fim da pressão agropecuária para a abertura de novas áreas”,
destacou Flávio.
O gerente
ressaltou ainda que o cumprimento dessas metas, apoiado pelo Código Florestal e
por programas como o Plano ABC+, “é demandado por grandes mercados consumidores
como China e União Europeia”.
Para que
essas exigências de mercado e metas ambientais saiam do papel e cheguem ao
pasto, o trabalho no campo precisa se adaptar ao dia a dia de cada fazenda. Na
mesma linha, o extensionista Fernando Baldoino abordou os desafios reais da
implantação das Unidades de Referência (URs) do projeto, destacando a
importância de um contato direto com as diferentes realidades rurais para que a
transição sustentável realmente aconteça.
“A
implantação das Unidades de Referência tem sido uma experiência muito
importante dentro da extensão rural, porque nos coloca diretamente na realidade
das propriedades”, explicou Baldoino. Ele detalhou que a equipe precisa de
diálogo constante para lidar com desafios que variam desde a recuperação de
Áreas de Preservação Permanente (APP) até o melhoramento do pastejo e demandas
estruturais, como a reforma de currais. “Esses diferentes cenários mostram como
a extensão rural precisa ser prática e flexível, construindo soluções junto com
o produtor e respeitando a realidade de cada sistema produtivo”, concluiu o
extensionista.
O esforço
em investir na educação desse segmento já rende frutos. O evento impactou a
visão dos acadêmicos, a exemplo do estudante de agronomia, Charles
Chargas. Ele acompanhou de perto as discussões sobre o manejo adequado do solo,
da água e as tecnologias de redução de impacto ambiental.
“A palestra contribuiu de forma significativa para o meu
aprendizado acadêmico e profissional. O evento reforçou a sustentabilidade como
um princípio essencial para o futuro da produção rural e provou a viabilidade
de unir desenvolvimento econômico e preservação ambiental”,
destacou o estudante.
Essa
percepção de que a atividade produtiva precisa caminhar em harmonia com a
natureza é um consenso entre os futuros talentos da área.
O
seminário encerrou suas atividades com uma mensagem inspiradora: o investimento
nos profissionais de amanhã planta hoje as sementes para uma Amazônia mais
protegida.
Esta
publicação é uma parceria entre a Ecoporé e o projeto ProTS, financiado pelo
Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da
Alemanha e implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale
Zusammenarbeit (GIZ) GmbH em parceria com o Ministério da Agricultura e
Pecuária (MAPA). O seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva da Ecoporé e
não reflete necessariamente as opiniões do Ministério Federal da Cooperação
Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.
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