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JOÃO PAULO VIANA: A FESTA DA DEMOCRACIA


 

Por João Paulo Saraiva Leão Viana

O Brasil completa 25 anos de democracia em 2010, e neste domingo, três de outubro, mais de 135 milhões de brasileiro votarão para os cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e estadual. Somos o terceiro maior eleitorado do mundo, ficando atrás apenas de Índia e Estados Unidos.

Essa é sexta eleição presidencial desde 1989, quando 22 partidos lançaram candidatos, quebrando um jejum de 29 anos sem eleições diretas para presidente da República. De lá para cá, atravessamos momentos difíceis, como o impeachment de Fernando Collor em 1992, inúmeros escândalos de corrupção, como os anões do orçamento, “mensalões”, entre outros. Entretanto, nenhum desses episódios foi capaz de causar a ruptura institucional do período democrático iniciado em 1985 e formalizado com a Carta Magna de 1988. A democracia brasileira vem passando por um processo de aperfeiçoamento institucional fantástico.

A transição política de FHC para Lula iniciada em 2002 marcou também a passagem da faixa presidencial do sociólogo ao metalúrgico, líder sindical. Há 16 anos, desde 1994, dois partidos, de cunho essencialmente paulista, se revezam e, ao que tudo indica ainda se revezarão por muito tempo no poder. Tal fenômeno torna-se primordial para afastarmos algumas visões pessimistas sobre o sistema partidário brasileiro, expressas, sobretudo, em opiniões de que “numa perspectiva comparada o Brasil representa um caso notório de subdesenvolvimento partidário”, ou até mesmo a de que “nossos partidos são os mais fracos do mundo”. Na verdade, nossos partidos precisam se fortalecer nas ruas, criar raízes societárias.

O PT de Lula e Dilma Rousseff nasce em 1980, fundado por sindicalistas do ABC paulista, intelectuais e setores da igreja católica ligados ao marxismo, representa a centro-esquerda numa ampla coalizão, tendo como principal parceiro, e agora sócio de chapa, o PMDB, maior partido da Câmara dos Deputados, além de aliados históricos como PSB, PDT e PC do B, e até partidos conservadores como o PTB e o PP, entre outros. Do outro lado, o PSDB de José Serra, partido de quadros, de origem parlamentar, nascido em 1988 dentro do Congresso Nacional, após um racha dentro no PMDB, fundado por grandes nomes da política nacional, como Mário Covas, FHC, José Serra, Teotônio Vilela, liderando o bloco de centro-direita, ao lado do DEM, antigo PFL.

Do ponto de vista político-ideológico, as candidaturas de Marina Silva do PV e Plínio de Arruda Sampaio do PSOL abrilhantaram ainda mais o espetáculo da eleição presidencial. Ambientalista, a senadora Marina Silva trouxe ao debate político brasileiro, o desenvolvimento sustentável, tema de conteúdo programático de relevância internacional. Plínio e o PSOL também não deixaram por menos, ao tratar da igualdade como elemento fundamental da política, trazem à tona a questão da justiça social, numa nação que, apesar dos avanços sociais da última década, ainda não conseguiu se livrar de um incômodo título: ser um dos países mais desiguais do mundo.

Se as eleições forem decididas já no primeiro turno, Dilma Rousseff, herdeira política do “Lulismo”, será a primeira mulher presidente do Brasil. Sua vitória pode ser facilmente traduzida pelo momento de bem-estar social que vive a sociedade brasileira, aliado ao carisma de Lula e sua incrível popularidade. Para confirmar tal afirmação, nos últimos oito anos trinta milhões de brasileiros ascenderam à classe média. Caso se confirme a vitória petista no primeiro turno, o grande responsável terá sido Lula, e a estratégia bem sucedida do governo, ao realizar aliança com o PMDB, tão necessário em nosso presidencialismo de coalizão. Caso haja, segundo turno, como bem assinalou o cientista político Fernando Abrúcio, “A fortuna de Serra, usando uma expressão cunhada por Maquiavel, foi ter encontrado uma Marina pelo caminho”.

De certa forma, com o favoritismo petista, a oposição precisa ganhar fôlego e repensar o seu futuro. Daí a diferença central entre perder no primeiro turno e perder num segundo turno. É como perder por nocaute ou perder por pontos. É mais fácil levantar na segunda opção. O segundo turno é um novo momento, nova eleição, oportunidade de ampliar o debate e de uma reaproximação da oposição com a sociedade. Se os caciques de PSDB e DEM não conseguirem enxergar isso, continuarão fora da presidência, ao que tudo indica, por muito tempo.

No plano estadual, temos uma eleição atípica. Com vários caciques da política local ameaçados pela Lei da Ficha Limpa, o quadro estadual é incerto. Na corrida para o governo temos, segundo a última pesquisa IBOPE, a liderança com 29%, do peemedebista Confúcio Moura, ex-prefeito de Ariquemes, Deputado Federal mais votado em 2002, numa aliança do PMDB, maior partido do Estado, liderado pelo Senador Valdir Raupp, com o PDT do Senador Acir Gurgacz e o DEM do ex-governador e atual prefeito de Ji-Paraná, José Bianco, além do PC do B, do professor Pantera. O “Grupo Cassol” representado na candidatura do atual governador João Cahulla, vem logo em seguida com 28%. A candidatura de Cahulla representa a continuidade do “Cassolismo” que há oito anos domina a política local.

Ainda segundo a pesquisa IBOPE, o ex-senador Expedito Júnior, ex-aliado do grupo Cassol, ocupa a terceira posição, com 18%. Dono de extenso patrimônio eleitoral, eleito deputado federal mais novo do Brasil em 1986, Expedito vem lutando incessantemente contra a impugnação de sua candidatura. Iniciou a corrida pelo governo à frente, mas as incertezas que pairaram sobre sua continuação na disputa, aliado aos fortes ataques do seu ex-grupo político, foram fundamentais para sua queda nas pesquisas. Em quarto lugar, o Deputado Federal Eduardo Valverde do PT, com 13%. A candidatura de Valverde não conseguiu decolar devido principalmente aos problemas enfrentados pela atual gestão de Sobrinho. Reeleito com quase 60% dos votos, numa votação histórica, o atual prefeito de Porto Velho não consegue transferir apoio político ao deputado. Entretanto, o PT possui uma forte militância e ainda pode surpreender.

Nessa conjuntura de incerteza, uma coisa tida como certa: haverá segundo turno. Confirmando os prognósticos da última pesquisa IBOPE, estaremos diante de um segundo turno entre o “Grupo Cassol” e Confúcio Moura, do PMDB, que, ao que tudo indica, reunirá uma frente de partidos com seus aliados PDT, DEM e PC do B, somados ao provável apoio do emergente PT, consolidando, dessa forma, a manutenção da aliança que governa a capital rondoniense. Para completar a situação, as farpas entre Cassol e Expedito dificilmente possibilitarão uma união no segundo turno. Nesse contexto, os votos de Expedito serão fator decisivo para o triunfo de Confúcio ou a continuidade do “Cassolismo”.

João Paulo Saraiva Leão Viana é cientista político, professor da Faculdade de Rondônia (FARO) e da Faculdade Interamericana de Porto Velho (UNIRON).

 

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Fonte: João Paulo Viana - joaopauloviana@hotmail.com
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