Porto Velho (RO) segunda-feira, 18 de junho de 2018
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CHUTANDO O BALDE

CHUTANDO O BALDE: VALE À PENA IGNORAR A LEI?


CHUTANDO O BALDE: VALE À PENA IGNORAR A LEI? - Gente de Opinião

  VALE À PENA IGNORAR A LEI?  

Gente de Opinião

William Haverly Martins

No Brasil oficial parece que ninguém mede as consequências de seus atos, ninguém antecipa acontecimentos em função de seus próprios erros, e, se as ações estão ligadas à corrupção, é patética a declaração comum de inocência. Quando os delitos são cometidos por agentes políticos, as justificativas são ainda mais bizarras. Cerca de 70% dos brasileiros talvez nem saibam o que é verba pública, por isso pensam candidamente que não estão sendo surrupiados — têm a equivocada percepção que o público não é de ninguém.

“Ah, eu não posso ser presa porque tenho 4 filhos pra criar, sou evangélica, é tudo mentira, isto é coisa dos meus inimigos políticos!” — e por aí vão as declarações de inocência da prefeita de Vilhena-RO. Todo mundo é inocente, mesmo depois de provado o contrário. Isso ocorre porque a corrupção em nosso país foi institucionalizada, as situações gravíssimas surgidas ao longo das últimas décadas são em decorrência de um consenso de que verba pública é “casa de mãe Joana”, e de que político que rouba não vai pra cadeia. Há até frases prontas para criticar o cinismo de alguns deles: Ademar de Barros (Rouba mas faz!!), Maluf (Não fui eu...), Lula (O apartamento não é meu, o sítio não é meu!), Dilma (Eu souinocenta, sou ignoranta!), Temer (A mala de dinheiro não era pra mim).

O povo já se “acostumara”, satisfeito, às bolsas de várias designações, distribuídas nesses últimos anos, pelos mandatários da nação, a título de “cala-boca”. Mas aí a interferência de procuradores e policiais federais encontraram eco em um Juiz Caxias: o “pretérito mais que perfeito” virou “particípio passado” − Tá tudo errado! Bolsas não justificam propinas. O presente foi agraciado com punições pra todos os gostos. Se bem que, pra se acabar com quadrilhas institucionalizadas, precisamos de penas mais severas, e mais severas ainda quando o chefe da quadrilha é o próprio chefe do governo.

A punição precisa possuir agravantes proporcionais ao montante roubado e acabar com esse negócio de direitos humanos pra pilantras: cumprir pena em casa, soltar mulher corrupta, porque tem filhos pra criar, e velhos porque estão doentes. Todos tinham noção dos seus delitos. Não falta muito para que tornozeleira eletrônica seja o objeto de desejo de muita gente e vire adereço da moda: – Menina, olha aquele cara, deve ser gente muito importante, usa duas tornozeleiras, uma em cada perna.

Caso não se tomem sérias providências legislativas, furtar verbas públicas e receber propinas valerá à pena. Basta um acordinho de delação premiada, bons advogados e logo logo todos se locupletarão: menos de 30 anos de cadeia pra quem faliu um estado como o Rio de Janeiro é pouco e a gente sabe que Cabral não fica mais do que dois anos. A mulher já está solta, morando com os filhos em belíssimo apartamento da zona nobre do Rio.

Pouco mais de dois anos e os envolvidos nesse escândalo, que abalou os alicerces econômicos do país, já estarão soltos, usufruindo do assalto e rindo da nossa cara e do pretenso chute moralizador no balde da indignação. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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