Porto Velho (RO) quarta-feira, 23 de maio de 2018
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CHUTANDO O BALDE

CHUTANDO O BALDE: NÃO, EU DIGO NÃO, EU NEGO, NÃO FUI EU


 CHUTANDO O BALDE: NÃO, EU DIGO NÃO, EU NEGO, NÃO FUI EU - Gente de Opinião


NÃO, EU DIGO NÃO, EU NEGO, NÃO FUI EU

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William Haverly Martins
 

Parodiando o corrupto maior da nação, asseveramos que “nunca na história deste país” o “não” esteve tão em voga, quer seja no mundo político/empresarial, quer seja nos textos ou orientações dos causídicos, cujos clientes estão envolvidos em processos de corrupção, pouco importando se a negação condiz com a ética. Aliás, falar em ética diante de tanta sujeira parece piada, num país em que o sentimento de esperança, a cada dia, se aproxima mais de Nietzsche do que de Santo Agostinho −uma tremenda sacanagem. O consumismo capitalista justifica todos os meios, até mesmo a falta de vergonha na cara.

É como se todos os brasileiros estivessem alheios aos últimos acontecimentos divulgados em todas as mídias daqui e d’alhures, cegos que não querem ver; vendo, aceitam o que veem. Do contrário, já estariam, em maior volume, nas ruas, nas mídias sociais; já teriam, por indignação, rasgado seus títulos de eleitores em praça pública, ou, os mais informados e mais revoltados, já teriam “metralhado” grande parte dessa laia de amorais. Não vejo outra saída a não ser pela interferência militar, a única reserva moral que resta a este país. Mudança pelo voto direto nem meus tataranetos verão. A aplicação do Código de Drácon (redigido por volta de 620 a.C. e onde, para quase todos os crimes, era aplicada a mesma pena − a morte) seria suficiente para esta gente: corruptores e corrompidos — os que reclamassem da antiguidade do código, poderiam optar pela aplicação do código penal da China atual: paredão!!!

Pela movimentação “salve-se quem puder” do Congresso, está próximo o dia em que veremos um nobre advogado, defensor de um dos políticos/empresários corruptos, enfrentar a imprensa, usando os seguintes argumentos: o meu cliente reconhece que recebeu propina, que usou dinheiro sujo na campanha política, que viajou pelo mundo com o dinheiro público advindo das empreiteiras, mas nós vamos provar, durante o curso do processo, que ele foi useiro de prática consuetudinária a este país, prática tão comum, que tramitou no Congresso um anteprojeto de lei, recentemente sancionado pelo Presidente da República, que descriminaliza todos os que pagaram, receberam ou receberão dinheiro ilícito, desde que no efetivo mandato dos poderes Executivo e Legislativo, ou que sejam proprietários de grandes empresas.

Esse tipo de assunto, para quem escreve colunas de denúncia/protesto, como esta, irrita e entristece, porque sabemos que, apesar da indignação e da vontade de chutar “a bunda” desses meliantes, o ordenamento jurídico brasileiro é muito avançado para um país tão atrasado, onde o cidadão de bem é enganado até mesmo de dentro das prisões; onde as penas são lenientes para o tamanho dos crimes; onde os juízes de 1ª instância aparentam maior honestidade e competência do que os “comprometidos” da última instância; onde a vaidade de alguns membros do MP ainda fala mais alto do que o dever para com a nação; onde os empresários “poderosos” riem, via TV, na cara da população indefesa, como fizeram executivos da Odebrecht, ao contarem como compraram com propinas vultosas as pessoas mais poderosas do país.

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Esta semana comemoramos o Dia do Exército, instituição que, a nosso ver, ainda é a última fronteira da ética, apesar do ponto de vista da esquerda caviar. Bem que o Exército poderia salvar este país das mãos do dragão da corrupção, da imoralidade, acabando com o multipartidarismo, com os privilégios previdenciários e trabalhistas de ministros, militares, juízes, procuradores etc., com a propina institucionalizada, com as nossas leis brandas, e decretando “pena de morte”, para crimes de corrupção, tráfico de drogas e outros do mesmo naipe, diminuindo o número de ministérios, deputados e senadores, demovendo o país do atraso em que se encontra.

Logo em seguida, marcando novas eleições, nova assembleia constituinte, novos códigos, nova democracia... E, lá vamos nós, ladeira abaixo, na rua da utopia, mesmo sabendo que a grande maioria dos brasileiros é gananciosa, quer mais do que é merecedora e cumpre as leis por pura conveniência.

Hoje, em vez do violento “Chute no Balde”, restam-me as lágrimas da impotência da utopia necessária, porque sei que a fé, na certeza daquilo que espero, é o contraponto daquilo que jamais verei: a justiça.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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