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Jéssica Frocel

Sou apenas uma adolescente do Ensino Médio com ideias demais na cabeça e hobbies um tanto atípicos, sendo a escrita um deles, que se envolve e complementa com a leitura, tornando-se apenas um. Além disso sou fanática, por mitologias, ficção científica e quaisquer palestras disponíveis.

Um País Brasil e um País Guaporé - Por Jéssica Frocel

20/04/2017 - [14:19] - Opinião

Um País Brasil e um País Guaporé

ou Rondônia: Um Estado Território de Nenhuma União

 

Amazônia, mais uma parte de uma vasta extensão territorial brasileira; Rondônia mais um ponto solitário deste imenso mapa, um ponto desconhecido se não para os nele habitam, semi-esquecido para o Poder Público.

Um Estado-Território, o eterno Guaporé é Rondônia sem perder sua essência (seu materialismo histórico); é um estado precário, pouco desenvolvido e muito menos ainda do que isso, atraente fora dos contextos colonizadores que lhe permeiam.

A colonização do Guaporé foi um abuso desde o princípio; foi levado inicialmente apenas como importante ponto de defesa, logo que a ameça se foi, tornou-se esquecido e começou sua longa história de ciclos e planos contingenciais, cada ciclo um novo objetivo repleto de senso de propriedade mas sem nenhum bom senso de fato.

Em 82 teve seu status político alterado, mas não seu status quo, a vida era sobrevivida pelo povo que resistia às margens dos barões do agronegócio e do garimpo, estes que por vezes sequer residiam no estado que para os mesmos era apenas meio de comércio.

E num lugar como esse em que o que se havia de mais moderno em estrutura era o Transporte Intermodal e o maquinário de uma ferrovia decadente, não se poderia esperar que os aspéctos sociais fossem algo de máxima importância se nem mesmo o capitalismo era capaz de dar diferente face.

Rondônia se concretizou como um Estado de Exceção (existindo para poucos); anôma-lo em sua metamorfose tardia, feita a duro esforço e muita aparência, sofria as sanções sociais do estigma, “do arco e flecha”, das “onças nas calçadas” do “não há nada” e do “terra boa de ganhar dinheiro”.

Há de se admirar, um estado tão “vazio e perdido no nada” suporte tanta exploração “não sendo rico em nada”. As palavras dos populares representam um pensamento em comunhão com o Poder Público que aliena a visão destes, que sequer tem a mínima ideia da dimensão errônea que atingem em suas palavras.

O “meio do mato”, elogiam, mas o meio do mato que rendeu muito ao país, muito aos outros estados, às pessoas de fora que dele sequer sabem que se sustentam, nunca teve sequer o respeito, pois não foi “entregue a um filho da terra (frase de Jorge Teixeira)”, mas as traças populares-governamentais.

Nestes termos, há o surgimento, do País Guaporé, um país parte de uma União, supostamente para o auxilio mútuo de recursos, mas cuja colaboração de fato é deixada de lado, ele é inóspito, pouco habitado e se assemelha na visão geral de tantos ao antigo mundo astéca.

Esta segregação estatal chega a ser curiosa pela forma que se mostra nas mais simples situações; nas escolas do País Guaporé se aprende sobre toda a União bem como sobre si mesmo, na União, se aprende de si mesmo e se falam de cassiterita ou gado citam Guaporé, a frase é cheia de: “produzem” e sem nenhum “são”.

 Desta forma, Rondônia não é um estado da RFB (República Federativa do Brasil), ele está quando é conveniente economicamente, depois desse interesse não há mais nada, nada para o povo nada bairrista, que tem vergonha da origem em face ao preconceito; nada para os outros, estão todos indiferentes, ao ponto de em 40 anos de residência terem a audácia de tomar desdém pelo lugar abençoado que lhes oferece subsistência.

- Então, caríssimo colonizador insatisfeito, faça um favor a nosso Guaporé e a si mesmo, assim que possível, em bom Pink Floyd, just leave us alone (apenas deixe-nos em paz), volte para seu lugar de origem, sobreviva por conta própria e esqueça que esse outro país existe.


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