Porto Velho,
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Ivo Feitosa

Ivo Feitosa Filho, nascido no município de Porto Velho. Bacharel em Turismo com especialização em Gestão de Turismo e Inventário da Oferta Turística. Jornalista com Registro de nº 1061 - DRT/RO. [email protected]

Voce Sabia... Que? Comunidade Santa Marcelina - Por Ivo Feitosa

21/05/2007 - [05:46] - Imagens da História



A Comunidade Santa Marcelina – Hospital e Escola Dr. Marcello Cândia já teve o nome de Leprosário ?

...Assim se dizia na década de 50, quando o então governador do Território Federal do Guaporé, hoje Estado de Rondônia, o engenheiro Joaquim de Araújo Lima construiu o Leprosário à margem da futura e hoje BR-364, no Km 17.

O local tinha como finalidade prestar assistência na área da saúde, do social, do educacional e do espiritual aos portadores de hanseníase que também eram conhecidos como os "doentes de pele".

Mal de Hansem é a menos contagiosa de todas as doenças transmissíveis, porém é a mais temida de todas pela discriminação e abandono social que é deixado o doente. O homem é a única fonte conhecida infecciosa da hanseníase. Isso significa que o bacilo deve sair do homem infectado para o homem são.

A inauguração ocorreu em 13 de setembro de 1954, no aniversário da criação do Território Federal do Guaporé. Por muitos anos ficou conhecido como "Colônia Aben-Athar" em homenagem ao médico sanitarista do Pará, que dedicara sua existência ao estudo da hanseníase e dos hansenianos daquele Estado.

A Colônia tinha como diretor o médico José Cerqueira Coutrim, que não mediu esforços para o bem dos internados, auxiliado por um administrador competente e sua equipe. Os doentes tinham cuidados médicos, lazer, alimentação, vestuário, porém ainda eram discriminados e isolados. Doentes de um lado, sadios do outro.

No ano de 1969 por problemas políticos Dr. Coutrim deixa sua função e a Colônia passa por sérias dificuldades ...

"O sistema administrativo desta colônia foi caindo. Tivemos um caso lamentavelmente triste, de colegas vitimados por bichos de correição, sem que houvesse qualquer tentativa para salvá-los". (Desbravadores vol.III – pág.34).

A situação da Colônia encontrava-se em total abandono, tudo vitimado por questões políticas. Nesta ocasião, sendo ajudada pela Igreja Católica na pessoa do Pe. Mário Castagna, ajudado pelo Pe. Pasquale Di Paolo e também pelas Irmãs Franciscanas Catequistas. Pe. Mário expôs junto ao governo toda a situação da miséria na qual se encontrava a Colônia, tendo conseguido recursos e também fez com que assumisse a direção da Colônia o Pe. José Sardo, isto já no ano de 1971.

O Pe. José Sardo enfrentou as dificuldades da burocracia da administração pública e passou a residir no próprio local e a partir daí um novo período de bem-estar e tranqüilidade. Institui uma administração participativa com os doentes, dividindo responsabilidades, unindo-os e, principalmente quebrando o isolamento humano.

A convite do Pe. José Sardo chega em Porto Velho em data de 03 de março de 1973, Pe. Emílio La Noce que ficou por um curto período trabalhando na Comunidade Jayme Aben-Athar, tendo logo em seguida por determinação de D. João Batista Costa (Bispo de Porto Velho) assumindo a direção de uma Paróquia. Hoje, Pe. Emílio La Noce ainda encontra-se aqui, sendo o pároco da Catedral Sagrado Coração de Jesus.

Já em 1975 inspiradas pelas palavras do Senhor: "Ide pelo mundo inteiro e pregai a evangelho a toda a criatura" a Madre Maria Elisa Zanchi e a delegada do Brasil Irmã Fernanda Martellini aceitam o desafio de um novo campo de trabalho e enviam para Rondônia as primeiras Missionárias da Associação Beneficente Santa Marcelina, sendo elas, Irmã Rosa Gambella, Irmã Dolores Grecco e Irmã Libera Tedesco, que com muita coragem e determinação na Direção da Comunidade dando continuação aos programas deixado pelo Pe. José Sardo que retornara à sua Pátria – Itália.

Dificuldades, problemas de assistência médica até pouco tempo era precário, solucionado com a presença e o atendimento de alguns médicos imbuídos do espírito humanitário. Faziam seus atendimentos aos doentes que ali se encontravam. Hoje o Hospital Dr. Marcello Cândia é ponto de referência do Estado em Órteses e Próteses e centro de atendimento a portadores de hanseníase. O Hospital dispõe de um bom atendimento com salas de cirurgia, fisioterapia, terapia ocupacional, consultório oftalmológico, farmácia, laboratório, ambulatório com várias especialidades, enfim, uma estrutura de um grande centro de saúde.

Em 2003, depois do falecimento da Irmã Rosa Gambella, assume a Direção da Comunidade Santa Marcelina, a Irmã Lina Maria Ambiel que divide as responsabilidades entre 22 Irmãs que vieram de vários Estadas sendo duas delas italianas. O trabalho continua e essas Irmãs, além de terem a responsabilidade maior com os doentes, têm ainda sob suas atenções as atividades que a Associação Beneficente Casa de Saúde Santa Marcelina assumiu: o projeto educativo com a Escola Dr. Marcello Cândia que atende desde a Educação Infantil ao Ensino Fundamental, que faz parte daquela infra-estrutura. Além de tudo isto as Irmãs desenvolvem outras atividades com crianças carentes em Creches aqui em Porto Velho e também em alguns municípios do nosso Estado de Rondônia.

A Comunidade Santa Marcelina recebe apoio financeiro através de convênios mantidos pelos Governos Federal, Estadual e Municipal, e está aberta para também receber doações de empresas e famílias que queiram ajudar essa instituição que só tem feito o melhor para atender a grande demanda que ali procura atendimento médico em várias áreas.

Fazer uma visita à Comunidade Santa Marcelina faz bem ao nosso espírito por poder ver a dimensão de tudo aquilo na maior organização pelo serviço que ali existe e até ver algumas das Irmãs pedalando bicicletas com bagageiro em forma de triciclo em seus trabalhos diários dando melhor condições de vida aos que ali se dirigem pelo amor, doação e serviço. Para agendamento de visitas e outras informações, contactar pelo telefone – 69-3225-0l50 com as Irmãs Inêz e Maura Lúcia.

Fonte: Desbravadores – Vol.III – Pesquisa em documentos da Comunidade Santa Marcelina – Informações prestadas pela Ir. Inêz.

Ivo Feitosa – Turismólogo

[email protected]


Comentários

  • igolvani da silva moulaz - 20/05/2010

    me emocionei ao ler essa história pois faço parte dela estudei nesse colegio no ano de 1988 e minha mãe trabalhou de cozinheira no hospital. é uma pena que a irmã rosa tenha falecido mas me lembro bem dela e da s irmãs gema e inêz, se um dia tiver oportunidade quero levar meus filhos pra conhecer o melhor colegio que estudei.

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