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Silvio Persivo

Colaborador do Gentedeopinião, Silvio Persivo é Economista com Doutorado em Desenvolvimento Sustentável pelo NAEA, escritor, poeta e professor de Economia Internacional e Planejamento Estratégico da UNIR. E-mail: silvio.persivo@gmail.com

NÃO FOI BEM DE AMOR QUE O POETA MORREU Silvio Persivo

31/08/2017 - [14:50] - Opinião

Silvio Persivo

Algumas vezes não fazemos o que devemos fazer. É, algumas vezes, por conta de um “deixa a vida me levar”, mas, outras, apenas pela maldosa procrastinação, que é um mal que, infelizmente, me assola. Seja como for devia, já faz tempo, um comentário sobre o mais recente livro de Júlio Olivar, “O Poeta que Morreu de Amor” sobre o poeta maranhense Vespasiano Ramos, tido por grande parte dos historiadores como o precursor da literatura de Porto Velho, o que significa, praticamente, de Rondônia, de vez que a cidade foi, por muito tempo, a única parte onde podia existir algum tipo de literatura.

Antes de mais nada cabe dizer que Júlio, com este segundo livro, se torna uma espécie de escavador literário do tempo, pois, já no seu livro anterior sobre Santo Antônio do Rio Madeira, tinha se arriscado nas águas profundas da história em busca de pérolas que, supostamente, só existiam como lendas. E, como na vez anterior, pode se gabar de ter conseguido um resultado extraordinário, apesar dos riscos e da tarefa árdua que teve de executar. De fato, especialmente, no livro sobre o poeta, consegue tirar leite de pedra.

É que, Vespasiano, em Rondônia, é mais lenda mesmo que realidade. O poeta de Caxias foi uma figura contraditória, que andou por outras cidades, inclusive com relativo sucesso em Belém do Pará, autor de apenas um livro “Coisa Alguma” que, se fosse no mundo atual, se diria que foi mais performático do que construiu uma obra. Além de ter vivido pouco (32 anos), uma vida conturbada, se atribue a uma decepção amorosa sua vinda para Rondônia onde, em pouco tempo, viria a falecer na cidade de Porto Velho em 26 de novembro de 1916. E, como foi, mesmo assim, adotado como intelectual local, mereceu de Júlio Olivar uma recuperação histórica de muito valor que começa pelo título de “O Poeta que Morreu de Amor”, uma evidente licença poética, de vez que o que o matou mesmo foi uma cirrose. Talvez até, depois de duvidar de sua importância para a literatura de Rondônia até me incluam na famosa prole que cantou no poema “Ao Cristo”:

“Prometeste voltar! Não voltes, Cristo:

Serás preso, de novo, às horas mudas,

Depois de novos e divinos atos,

 

Porque, na terra, deu-se apenas, isto:

Multiplicou-se o número de Judas

...E vai crescendo a prole de Pilatos”.

Certamente não será o caso de Olivar que escreveu um livro bem documentado, fácil de ler, divertido, com parte dos poemas de Vespasiano e, ainda por cima, com um certo perfume de passado, que torna o seu livro uma leitura fascinante. Vale a pena comprar, ler e divulgar.


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