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Dom Moacyr

Dom Frei Moacyr Grechi, OSM - Arcebispo Emérito de Porto Velho. Nasceu em Turvo (SC) em 19 de janeiro de 1936. Ordenado sacerdote em 29 de julho de 1961 Eleito Bispo em 17 de julho de 1972. Nomeado Arcebispo de Porto Velho em 29 de julho de 1998. Tomou posse como Arcebispo em 08 de novembro de 1998. Aposentou aos 75 anos e foi substituido em 03/03/2012 por Dom Esmeraldo Barreto de Farias, o novo Arcebispo de Porto Velho.

Lugar seguro para viver! - Por Dom Moacyr Grechi

17/06/2017 - [21:19] - Opinião

 
Diante do aumento da violência agrária que atinge trabalhadores rurais, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, pescadores artesanais, defensores de direitos humanos, a Comissão Pastoral da Terra (CPT- RO), juntamente com a Arquidiocese de Porto Velho, realiza na terça feira (dia 20) uma Audiência Pública sobre violência e conflitos agrários em Rondônia e o Lançamento do Caderno de Conflitos do campo (ano 2016).

De acordo com levantamento da CPT, o ano de 2016 teve registro recorde no número de conflitos no campo: foram 61 assassinatos de trabalhadores rurais (o dobro de casos de assassinato em relação à média dos últimos 10 anos) e 1.536 conflitos, envolvendo 909.843 famílias. O ano de 2017 já revela que os conflitos serão intensificados.

O evento acontece no Auditório da Catedral, das 9h às 16h30, com a presença dos trabalhadores rurais e sem terra do Estado de Rondônia, representantes dos povos tradicionais e migrantes, movimentos sociais, defensores dos direitos humanos e demais segmentos de nossa sociedade.

No dia 20 de junho celebramos o Dia Mundial do Refugiado e a coragem das pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e seus países por causa de guerras, perseguições e violações de direitos humanos. Na petição da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), entregue em 2016 aos líderes mundiais constava o Apelo aos governos para que garantam que todas as crianças refugiadas tenham acesso à educação; todas as famílias refugiadas tenham um lugar seguro para viver; todos refugiados possam trabalhar e adquirir conhecimentos que contribuam de forma positiva para suas comunidades.

Papa Francisco, em sua Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (celebrado no 3º domingo de janeiro, neste ano: 15/01), com o tema “Migrantes de menor idade, vulneráveis e sem voz”, destacou a vulnerabilidade das crianças migrantes que chegam sozinhas aos países de destino. Triplamente fragilizadas, por serem menores idade, estrangeiras e indefesas, elas acabam por se tornar vítimas de violações dos direitos humanos muito facilmente.

No Brasil, a Igreja realiza hoje a abertura da Semana Nacional do Migrante (18-25/06), em sintonia com a Campanha da Fraternidade, cujo tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e lema “Cultivar e guardar a Criação” nos permite avançar na mudança de mentalidade ecológica frente a um sistema que necessita saquear a natureza para sustentar o ritmo frenético do consumo e reconhecer que a migração forçada revela um sistema injusto que exclui milhões de seres humanos obrigando-os a migrar para sobreviver e salvar suas vidas.

Além das vítimas das guerras e das mudanças climáticas no mundo, no Brasil os atingidos por barragens das hidrelétricas somam milhares de migrantes que vivem “errantes”, porque continuam lutando por seus direitos, ou “perderam a sua terra, ou foram expulsas”, ou não tem uma casa para retornar.

Para Roberto Marinucci e Ir. Rosita Milesi, o fenômeno das migrações internacionais aponta para a necessidade de se repensar o mundo não com base na competitividade econômica e o fechamento das fronteiras, mas, sim, na cidadania universal, na solidariedade e nas ações humanitárias.

As migrações são berços de inovações e transformações. Elas podem gerar solidariedade ou discriminação; encontros ou choques; acolhida ou exclusão; diálogo ou fundamentalismo.  

Em sua 32ª edição, a Semana do Migrante, que tem como tema: “Migração, Biomas e Bem Viver” e o lema: “Uma oportunidade para Imaginar Outros Mundos”, considera em seu Texto Base que para diminuir as desigualdades e injustiças reinantes no mundo, é possível imaginar e construir outra forma de bem viver a vida, baseada na redução da produção e do consumo; um caminho para reconstruir uma sociedade decente, não de abundância material, mas de um mundo sem miseráveis e sem lixo.

Sabemos que é insustentável o comportamento daqueles que consomem e destroem cada vez mais, enquanto outros ainda não podem viver de acordo com a sua dignidade humana, afirma papa Francisco, na Encíclica Laudato Si; por isso, chegou a hora de aceitar um certo decréscimo do consumo, fornecendo recursos para que se possa crescer de forma saudável noutras partes (LS 193).

A liturgia de hoje está centrada na compaixão e misericórdia, no amor gratuito de Deus, na missão. Jesus se compadece das multidões cansadas e vê nelas ovelhas que não têm pastor. E como Cristo, devemos olhar a partir de uma perspectiva mais racional e justa a situação de milhões de brasileiros que vivem na chamada “situação de vulnerabilidade social”.

Vulnerabilidade social que significa situação de carências múltiplas: alimento, educação, saúde, saneamento básico, trabalho, cultura, estrutura familiar, etc e que reduz drasticamente as boas expectativas daqueles que a vivem (G.Medella).

“Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9,36-10,8). No evangelho de hoje, Jesus encontrou a massa popular abatida e exausta e pediu operários para reconstituir, a partir dessa massa dispersa, o povo de Deus.

De acordo com a estrutura do antigo povo das doze tribos, nomeia doze representantes do novo povo de Deus. Eles serão os operários da colheita. Esses doze operários, Jesus manda-os anunciar o reino e curar as doenças. E, pensando no “aqui e agora”, manda-os primeiro às ovelhas desgarradas de Israel. Depois de sua ressurreição, enviá-los-á a todas as nações.

Nosso povo também está abatido, oprimido. Observamos a decadência social, e até física, das populações da periferia e do interior, a desorientação dos jovens, a violência crescente etc. Isso não nos deve desanimar: é um desafio. A consciência comunitária e a missão evangelizadora podem transformar a situação, como acontece, por exemplo, em comunidades de base que realmente vivem o evangelho (Konings).

Para o jesuíta, Pe. A.Palaoro, a originalidade de Jesus começou em sua maneira de olhar a realidade e de deixar-se afetar por ela. A “subversão” da vida começa pela subversão do olhar; os olhos de Jesus viram muita dor, miséria, violência e suas entranhas se comoveram. Viu o seu povo despojado da terra, dos direitos mais elementares, Jesus viu e se compadeceu; compadeceu-se e indignou-se; indignou-se e se comprometeu na transformação daquela realidade dolente; comprometeu-se porque seus olhos viram mais a fundo, mais além, outro mundo possível.

O livro do Êxodo apresenta-nos o Deus da Aliança, que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade. A esse Povo, Deus confia a missão de ser um sinal de Deus no meio das outras nações (Ex 19,2-6a).

Paulo Apóstolo nos leva a refletir que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelos homens, um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente único (Rm 5,6-11).

Neste tempo de crise, no qual “nossa cidadania (anseia) uma sociedade democrática, justa, boa para todos” (Ibase), é necessário que cultivemos a compaixão e a misericórdia, a oração e a missão.

Para que vivamos a realidade do rosto Misericordioso de Deus, como um estilo de ser Igreja que favoreça o caminho da Nova Evangelização no Continente Americano e no mundo, Aparecida do Norte/SP vai sediar o 1º Congresso Continental da Misericórdia, de 22 a 25/06, em sintonia com a bula do Jubileu Extraordinário da Misericórdia: Misericordiae Vultus.

E na próxima 6ª Feira (dia 23), celebraremos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, orando pela santificação dos Sacerdotes. Na Festa do Coração de Jesus, o Senhor nos concede a alegria de celebrar, no coração do Seu Filho, as grandes obras do Seu amor.

Quando Jesus fala de si, diz: “Eu sou manso e humilde de coração”. Também Ele, o Filho de Deus, se abaixa para receber o amor do Pai. Outro sinal particular do amor de Deus é que Ele está sempre precedendo o homem. Ele está sempre diante de nós, espera-nos para nos receber no Seu coração, no Seu amor. A lealdade de Deus ensina-nos a acolher a vida como acontecimento do seu amor e nos permite testemunhar este amor aos irmãos num serviço manso e humilde (papa Francisco).

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