Porto Velho,
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Silvio Santos

Colaborador do Gentedeopinião, ZEKATRACA é titular da coluna Lenha na Fogueira no jornal Diário da Amazônia. E-mail: zekatracasantos@gmail.com - Informo aos colegas dos grupos folclóricos que se quiserem que divulguemos seus eventos, é só enviar a programação via e-mail zekatraca@diariodaamazonia.com.br ou pelo ZAP ZAP 9302-1960.

Júnior Rodrigues - A voz do samba de Manaus. Por Zekatraca

‘Tem muito samba em Manaus, o que falta, é o que acabei de falar, é o samba autoral. Em Porto Velho o samba autoral é bem mais forte que em Manaus. Esse projeto da escola de samba Asfaltão é um exemplo a ser copiado’

04/11/2017 - [22:48] - Entrevista

 

 

Fico feliz e agradeço ao Beto Cezar por ter feito essa ponte das minhas obras. Quem quiser me contratar é só entrar em contato através do (92) 99296-4951. É muito fácil me achar, ainda mais quando for pra trabalhar. Muito obrigado Porto Velho

 

 

Júnior Rodrigues

A voz do samba de Manaus abre à nova fase da Fina Flor no Mercado Cultural

 

A união dos Projetos Ernesto Melo e a Fina Flor do Samba e Roda de Samba do Beto Cezar, cuja primeira edição aconteceu sexta feira dia 03, no Mercado Cultural, pela presença do público, considerada boa, tem tudo para dar certo, eu diria que já deu. Para iniciar a nova fase do samba no Mercado, Beto Cezar e Ernesto Melo trouxeram o sambista considerado a “Voz do Samba de Manaus” Junior Rodrigues.

A programação começou com Ernesto interpretando sambas considerado clássicos. Apresentaram-se também Toninho Tavernard, Marcio Bigode, Waldison Pinheiro. Mávilo Melo e Hudson Mamede. Com uma cozinha das melhores, os interpretes passearam.

Júnior Rodrigues encerrou a programação e se emocionou com a surpresa preparada pela turma da escola de samba Asfaltão que descobriu que naquele dia 3 de novembro, era aniversário do sambista de Manaus e puxaram o parabéns pra você e ainda levaram um bolo com vela e tudo, Júnior quase não consegue continuar o show, tanta era a emoção.

Assim foi a abertura da nova fase do Projeto que agora tem como título: “Ernesto Melo, Beto Cezar e a Fina Flor do Samba” que passa a acontecer toda sexta feira no Mercado Cultural em Porto Velho.

Leia nossa conversa com o Júnior Rodrigues.

 

 

E N T R E V I S T A

 

Zk – Fala sobre teu trabalho musical?

Junior Rodrigues – Desde 1988 me apresento profissionalmente cantando samba e durante esse tempo, participei de alguns grupos como Azes do Pagode, Uísque com Água e há 12 anos, estou com carreira solo com quatro CDs e um DVD, já preparando o 5º CD.

Zk – Esses discos são todos com músicas de sua autoria?

Junior Rodrigues – Zelo muito por esse lado da música autoral, de cantar os meus sambas e cantar os sambas produzidos em Manaus. Por isso que além de cantor/interprete tenho o trabalho de produção.

Zk – Nessa parte de produção, quais os trabalhos que você destaca?

Junior Rodrigues – Na realidade, tenho dois trabalhos produzidos, inclusive com sambistas de Porto Velho como Waldison Pinheiro, Beto Cezar, Toninho Tavernard, Walber Júnior pra fortalecer realmente o samba autoral; o nome do Projeto é “Samba Sempre” que está no segundo volume.

Zk – Qual tua referencia musical?

Junior Rodrigues – Minha mãe ouvia Martinho, Clara Nunes, João Nogueira e involuntariamente fui aprendendo aquilo e colocando no HD. Graças a Deus que enveredei por esse lado do samba mais tradicional.

Zk – Em Manaus, qual a tua comunidade?

Junior Rodrigues – Morei na Matinha por 30 anos, lá tem muito sambista. O pessoal diz que a Praça 14 é o berço do samba, se é assim, a Matinha é a Maternidade, assim a gente brinca lá. Porém, em se falando de escola de samba eu sou Reino Unido da Liberdade, fui pra lá em 1987/88, mas, meu bairro tradicional é a Matinha.

Zk – Por falar em escola de samba, você também compõe samba enredo?

Junior Rodrigues – Não é minha praia. As vezes que participei como compositor de samba enredo foi a convite de outra pessoa, porém não me saí muito bem. Quando tento fazer, o samba sai um pouco capenga então, não me meto mais porque sei que o samba não vai ficar do jeito que gosto.

Zk – Você esta conquistando o mercado do samba no Rio de Janeiro o que creio não é fácil. Fala sobre essa experiência?

Junior Rodrigues – Com a Internet ficou bem mais fácil. Acabou que me mudei pro Rio e fiquei um ano e pouco por lá, pra ver qual era a realidade, fiz muitos contatos, deixei portas abertas, tenho parceria com muita gente do Rio de Janeiro, porém, achei mais confortável financeiramente, morar em Manaus e programar uma ida pro Rio pra manter esses contatos fisicamente porque pela Internet você mantém diariamente.

Zk – Qual tua grande composição, aquela que não pode ficar fora do repertório do show?

Junior Rodrigues – Aquela “Conceição” que a gente chama! É a “Casa da Mãe da Gente”. Sem dúvida foi a que me projetou financeira porque foi gravada pela Alcione. Quem levou essa música pra Marrom foi o maestro Jorge Cardoso que é amazonense e é bastante respeitado pelos sambistas e artistas do Rio de Janeiro. Ele não esquece as raízes, sempre está pegando música da gente do Amazonas pra manter esse elo. Sem esquecer o Chico da Silva que há mais de 30 anos também fez essa proeza.

Zk - Como é que está o movimento samba em Manaus?

Junior Rodrigues – Tem muito samba em Manaus, o que falta, é o que acabei de falar, é o samba autoral. Em Porto Velho o samba autoral é bem mais forte que em Manaus. Esse projeto da escola de samba Asfaltão “Samba Autoral” é um exemplo a ser copiado, imitado. Inclusive tentei fazer isso, mais, não consegui, porque apesar de termos boa produção de samba autoral, a execução dessas obras, ainda é muito fraca lá em Manaus.

Zk – Hoje quais os destaques do samba autoral em Manaus?

Junior Rodrigues – Gilson Nogueira, tem o meu parceiro Wanderlan Vaz com quem desenvolvo o Movimento “Boca Maldita” que também estimula muita a gente a compor, tem o Miguel Zamba, Pedro Donádio, Gilson Nogueira e o Saraiva.

Zk – Você trabalha na noite?

Junior Rodrigues – Não tanto, porque tenho esse lado da música autoral e o pessoal ainda está engatinhando nessa maneira de você tocar seus sambas e lhe privam disso. Eles querem que a gente vá tocar aquele sucesso que todo mundo conhece, que é uma coisa que luto pra não executar tanto.

Zk – Apesar de termos, como você disse, uma boa produção de samba autoral, no quesito escola de samba sentimos muito a falta de um apoio melhor. Como funciona isso em Manaus?

Junior Rodrigues – Como falei, não entro nesse mérito do operacional de escola de samba, da parte burocrática, porque não sei como acontece. O que sei, é que o governo todo ano apóia. O repasse às vezes atrasa mais sempre tem. Sei superficialmente que existe uma desorganização nas escolas no que diz respeito à prestação de contas e tudo é dinheiro público, tem que prestar conta pra poder ficar apto a receber no ano seguinte e parece que isso não acontece muito transparentemente.

Zk – Você tem feito show fora de Manaus?

Junior Rodrigues – Principalmente em Porto Velho e Acre. Tenho como meta, primeiro conquistar a região Norte. Rio de Janeiro é uma vitrine, ninguém vai me tirar de Manaus pra fazer show no Rio de Janeiro porque lá é cheio de sambista bom e ninguém vai vender pão pra padeiro.

Zk – Você tem algum trabalho novo na praça?

Junior Rodrigues – Meu último trabalho em CD é de 2015, já estou trabalhando a gravação de um novo disco que vai ser só com Partido Alto, este ano não dar mais, porém, no começo de 2018 estaremos com CD novo na praça com trabalho todo autoral. Será o Partido Alto com melodias mais simples, mais fáceis como é o Partido Alto realmente.

Zk – Sobre família. Você é casado, tem filhos?

Junior Rodrigues – Sou casado há dois anos com minha ex namorada. A gente teve um relacionamento como namorados durante sete anos e meio e nos encontramos há dois anos e casamos. O nome dela é Simone que por sinal está aqui em Porto Velho comigo. Tenho uma filha que mora no Rio de Janeiro.

Zk – Você veio a Porto Velho para participar da nova produção da Fina Flor do Samba que agora é Beto Cezar e Ernesto Melo na Fina Flor do Samba. Aliás você já conquistou os sambistas de Porto Velho. Como você analisa essa retomada?

Junior Rodrigues – Das outras vezes que vim, tinha o samba na sexta e o samba no sábado, parece que o público que ia pra um, não ia ao outro. O samba é união, quando se fala de música você forma um grupo pra tocar, você não separa, une as pessoas. Espero que essa união Beto Cezar e Ernesto Melo consiga reunir no Mercado Cultural às sextas feiras o sambista cantor/músico e o sambista que gosta de ouvir bons sambas.

Zk – Para encerrar?

Junior Rodrigues – Agradeço o carinho que Porto Velho tem por mim e pela minha obra. Fico impressionado como as pessoas conhecem o meu trabalho e cantam, isso é que é mais importante. Sexta feira, passei à tarde no Bar do Calixto com o Mávilo Melo e tudo que eu cantava pra ele não era mais novidade ele cantava junto. Fico feliz e agradeço ao Beto Cezar por ter feito essa ponte das minhas obras. Quem quiser me contratar é só entrar em contato através do (92) 99296-4951. É muito fácil me achar, ainda mais quando for pra trabalhar. Muito obrigado Porto Velho! ​

FOTOS DE ANA CELIA


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