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CHUTANDO O BALDE

William Haverly Martins é professor, escritor, vice-presidente da ACRM (Associação Cultural Rio Madeira), ex-presidente da ACLER (Academia de Letras de Rondônia), membro da AHMFPB (Academia de História Militar Forte Príncipe da Beira), fundador da ARL (Academia Rondoniense de Letras), onde ocupa a cadeira número três e recebeu o título de Presidente de Honra. Contato (williamhaverly@gmail.com).

CHUTANDO O BALDE: VALE À PENA IGNORAR A LEI?

22/06/2017 - [20:35] - Opinião

  VALE À PENA IGNORAR A LEI?  


William Haverly Martins

No Brasil oficial parece que ninguém mede as consequências de seus atos, ninguém antecipa acontecimentos em função de seus próprios erros, e, se as ações estão ligadas à corrupção, é patética a declaração comum de inocência. Quando os delitos são cometidos por agentes políticos, as justificativas são ainda mais bizarras. Cerca de 70% dos brasileiros talvez nem saibam o que é verba pública, por isso pensam candidamente que não estão sendo surrupiados — têm a equivocada percepção que o público não é de ninguém.

“Ah, eu não posso ser presa porque tenho 4 filhos pra criar, sou evangélica, é tudo mentira, isto é coisa dos meus inimigos políticos!” — e por aí vão as declarações de inocência da prefeita de Vilhena-RO. Todo mundo é inocente, mesmo depois de provado o contrário. Isso ocorre porque a corrupção em nosso país foi institucionalizada, as situações gravíssimas surgidas ao longo das últimas décadas são em decorrência de um consenso de que verba pública é “casa de mãe Joana”, e de que político que rouba não vai pra cadeia. Há até frases prontas para criticar o cinismo de alguns deles: Ademar de Barros (Rouba mas faz!!), Maluf (Não fui eu...), Lula (O apartamento não é meu, o sítio não é meu!), Dilma (Eu souinocenta, sou ignoranta!), Temer (A mala de dinheiro não era pra mim).

O povo já se “acostumara”, satisfeito, às bolsas de várias designações, distribuídas nesses últimos anos, pelos mandatários da nação, a título de “cala-boca”. Mas aí a interferência de procuradores e policiais federais encontraram eco em um Juiz Caxias: o “pretérito mais que perfeito” virou “particípio passado” − Tá tudo errado! Bolsas não justificam propinas. O presente foi agraciado com punições pra todos os gostos. Se bem que, pra se acabar com quadrilhas institucionalizadas, precisamos de penas mais severas, e mais severas ainda quando o chefe da quadrilha é o próprio chefe do governo.

A punição precisa possuir agravantes proporcionais ao montante roubado e acabar com esse negócio de direitos humanos pra pilantras: cumprir pena em casa, soltar mulher corrupta, porque tem filhos pra criar, e velhos porque estão doentes. Todos tinham noção dos seus delitos. Não falta muito para que tornozeleira eletrônica seja o objeto de desejo de muita gente e vire adereço da moda: – Menina, olha aquele cara, deve ser gente muito importante, usa duas tornozeleiras, uma em cada perna.

Caso não se tomem sérias providências legislativas, furtar verbas públicas e receber propinas valerá à pena. Basta um acordinho de delação premiada, bons advogados e logo logo todos se locupletarão: menos de 30 anos de cadeia pra quem faliu um estado como o Rio de Janeiro é pouco e a gente sabe que Cabral não fica mais do que dois anos. A mulher já está solta, morando com os filhos em belíssimo apartamento da zona nobre do Rio.

Pouco mais de dois anos e os envolvidos nesse escândalo, que abalou os alicerces econômicos do país, já estarão soltos, usufruindo do assalto e rindo da nossa cara e do pretenso chute moralizador no balde da indignação. 


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