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CHUTANDO O BALDE

William Haverly Martins é professor, escritor, vice-presidente da ACRM (Associação Cultural Rio Madeira), ex-presidente da ACLER (Academia de Letras de Rondônia), membro da AHMFPB (Academia de História Militar Forte Príncipe da Beira), fundador da ARL (Academia Rondoniense de Letras), onde ocupa a cadeira número três e recebeu o título de Presidente de Honra. Contato (williamhaverly@gmail.com).

CHUTANDO O BALDE: PARÂMETROS ABSURDOS

20/07/2017 - [21:11] - Opinião

 PARÂMETROS ABSURDOS 

 

William Haverly Martins


Os parâmetros de comparação, em vários seguimentos envolvendo o Brasil e a maioria dos países de mesmo nível, apontam diferenças tão absurdas que arrefecem nosso sentimento de patriotismo, se a comparação é entre os estados brasileiros, incomoda os nativos de plantão, mas não cala os nativistas por opção, que estão sempre apontando, mediante críticas construtivas, o que fazer para melhorar.

No quesito educação, comparar o Brasil com países jovens como a Austrália, dá uma tristeza danada. Se a gente compara com a Finlândia é covardia, ademais é bom lembrar que o referido país nórdico só passou a investir pesado em educação a partir da década de 1960. Aliás esse é o parâmetro que mais incomoda nosso nacionalismo, são tantos e insignificantes países a nossa frente, que desacreditam medidas paliativas, como as recentemente anunciadas pelo ministro da educação, para reformar o ensino médio brasileiro.

No campo das pesquisas, o Brasil até possui bons e competentes pesquisadores, mas falta investimento, recursos federais capazes de dar continuidade aos trabalhos laboratoriais.

No ranking das universidades mundiais publicado recentemente pelo Center for World University Rankings (CWUR) as universidades brasileiras sequer aparecem entre as cem melhores do mundo e os nossos doutores daqui e d’alhures vivem arrotando vaidades. Só cantamos de galo quando o ranking da Times Higher Education (THE) leva em conta a América Latina, desta vez com uma surpresa, a Unicamp aparece em primeiro e a USP em segundo: entre as dez melhores universidades terceiro-mundistas latino-americanas, cinco são do Brasil, duas do Chile, duas do México e uma da Colômbia.

Pelo andar da carruagem, sabemos que dificilmente neste século uma universidade de Rondônia conseguirá espaço entre as dez melhores do Brasil, quem sabe, no próximo século, esteja entre as dez da América Latina e, no próximo milênio, figure entre as cem do mundo. Potencial nós temos, falta... falta... falta...

Falta baratear o custo Brasil, eleger a educação como prioridade, acabar com a corrupção que abocanha por ano o equivalente a um PIB da Bolívia, etc. No ranking comparativo dos países que pouco investem em educação, saúde e segurança, mas gastam absurdos com a política, com o judiciário e com o MP, aparecemos no G4, no topo da lista. Melhor seria que figurássemos no Z4, para usar uma linguagem futebolista.

O manto sagrado dos Direitos Humanos camufla gastos e atitudes absurdas, como a espetacularização da guarda penitenciária estadual que, usando picapes caríssimas, fechou o atendimento público na agência central da Caixa Econômica Federal, e o trânsito nas importantes vias do entorno, para que três “ilustres” presos pudessem sacar o FGTS. As picapes de luxo usadas para escolta de presos estaduais e federais são de causar inveja a outros setores da sociedade carentes de veículos.

Um preso custa ao país mais do dobro de um estudante universitário. O Governo Federal paga R$ 0,30 (trinta centavos) por dia, a título de merenda escolar, por cabeça, a uma escola pública que cuida de crianças do ensino fundamental. Um professor ganha menos do que uma faxineira da Assembleia Legislativa. Imaginem se estendêssemos os parâmetros aos nossos vereadores ou deputados, o absurdo seria vergonhoso.

Nem um professor doutor da UNIR consegue ganhar mais do que um político; se contabilizarmos as propinas, o absurdo triplica.

 


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