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CHUTANDO O BALDE

William Haverly Martins é professor, escritor, vice-presidente da ACRM (Associação Cultural Rio Madeira), ex-presidente da ACLER (Academia de Letras de Rondônia), membro da AHMFPB (Academia de História Militar Forte Príncipe da Beira), fundador da ARL (Academia Rondoniense de Letras), onde ocupa a cadeira número três e recebeu o título de Presidente de Honra. Contato ([email protected]).

CHUTANDO O BALDE: LIXO HUMANO

15/06/2017 - [17:23] - OpiniãoTV

 
 

 LIXO HUMANO 


William Haverly Martins

A esperança talvez seja o sentimento humano mais cultuado pela humanidade, aquele que empurra as pessoas para o amanhã, independentemente de todas as absurdidades acontecidas no ontem e no hoje. O que diferencia os esperançosos entre si é o tempo de espera ou o discernimento de acreditar num tempo extra após a lida humana.

O ser humano pode e deve contribuir para encurtar o tempo da esperança, mesmo sabendo que ela oculta enorme caixa de desejos, que vão sendo substituídos, à medida que são alcançados. A esperança não tem fim, é um tempo que se estica na proporção da competência e da capacidade de cada um; é um caminho carpetado de ilusões rumo ao porvir; é o renovar da luz, no fim do túnel das carências; é a celebração da vaidade humana ao se mostrar além da metafísica, além da razão, nos limites da revelação. Ainda assim, é o alimento da vida, mesmo aos seguidores do pensamento de Nietzsche, quando descaracteriza a nobreza do aludido sentimento. 

A esperança não pode, nem deve ser um desejo singular, depende de um amontoado de conquistas pessoais e coletivas que transformam o sonho pessoal, o desejo individual, em realidade coletiva concreta.

Nosso passado de esquerda nos relembram o sonho da igualdade, nos remetem as nossas bandeiras vermelhas desfraldadas pelo bem-estar coletivo. Mais tarde compreendemos os devaneios equivocados e, oportunamente, mudamos de posição assumindo a direita, o que não significa dizer que desistimos de nossa esperança coletiva. Por isso brigamos e chutamos o balde com veemência, chutes nem sempre compreendidos pelas margens plácidas.

A única revolução capaz de mudar o destino da nossa frágil democracia é a educacional, aquela que abre a mente e garante o voto esclarecido: antes de sonharmos com o nível superior para nossos filhos, devemos primeiro cobrar melhores cursos fundamental e médio, lastro para se alcançar a universidade. Todos os países do topo do IDH começaram subindo esses degraus.

Ao exigirmos das nossas autoridades mais verbas e mais reformas, a fim de não nos distanciarmos daqueles que nos servem de referência no mundo, estamos cumprindo a nossa parte neste latifúndio social. Não podemos aceitar o fim da tabela no ranking da desigualdade, porque merecemos e queremos o topo. Ou elegemos um Tite ou entregamos o país às mãos de quem possa fazer valer o slogan “ordem e progresso” clamado por nosso lábaro estrelado, dilema facilmente resolvido pela educação de qualidade.

Além da diferença entre ricos e pobres, também merece nossa luta a baixa representatividade da mulher na sociedade brasileira: Mônica Moura, Dilma, a senhora Cabral e a senadora/presidente do PT não representam as inúmeras guerreiras anônimas deste país, acanhadas pelo achaque machista.

Em meio ao desalojar violento dos viciados em craque na cidade de São Paulo, um jovem viciado, mas esclarecido pela educação, levantou a voz para uma entrevista na TV dizendo-se consciente do seu vício, mas também sabedor de que o vício maior deste país é o vício da corrupção e concluiu, renovando meus chutes e minha vontade de lutar, embora desesperando minhas lágrimas impotentes: “Sei que sou um intolerável lixo humano, mas não pior do que o lixo tolerado dos políticos corruptos”.


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