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Abnael Machado

ABNAEL MACHADO DE LIMA Prof. de História da Amazônia/Universidade Federal do Pará Prof. de Geografia Regional/Universidade Federal de Rondônia Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO Membro da Academia de Letras de Rondônia

CONQUISTA DO VALE DO GUAPORÉ (I)

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Enquanto ocorria a ocupação do Vale do rio Madeira pelos lusos-paraenses vindos de Santa Maria de Belém-do-Grão-Pará, em suas bandeiras fluviais, assentando missões religiosas, núcleos coloniais tendo por suporte econômico a coleta de especiarias vegetais (as drogas do sertão), convergiam para o Centro-Oeste, as bandeiras lusos-paulistas oriundas de São Paulo. A bandeira de Antônio Pires de Campos e, alcançou planalto dos Parecis chegando aos campos gerais (Vilhena atual). Os bandeirantes Pascoal Moreira Cabral (1719) e Miguel Sutil (1722) descobriram grandes jazidas de ouro nos rios Coxipó-Mirim, Coxipó e Cuiabá, cuja a notícia ensejou o deslocamento das bandeiras para o Oeste. As dos irmãos Fernando e Arthur Paes de Barro; José Martins Charo e José Pinheiro em 1724, descobriram terrenos auríferos nas cabeceiras do rio Guaporé, devido as espessas florestas encontradas nas regiões, substituído a cobertura vegetal de campos e cerrados até então percorridos, a denominarem Mato Grosso. A exploração do ouro originou nesse local, os arraios de Santa Ana e São Francisco Xavier, os quais foram ligados (1736) ao Cuiabá pra um caminho terrestre de mais 400 km de extensão. No mesmo ano (1736), os bandeirantes sorocabanos Armando de Almeida Morais Tristão Cunha Gago, alcançaram o médio curso do rio Guaporé, encontrando ouro no rio Corumbiara, afluente deste pela margem da direita, aí estabelecendo um acampamento de mineração.

Em 1740 a população do alto Guaporé, na área mineralizada era de 40.000 habitantes representando compensador mercado de consumo justificando o estabelecimento de novas rotas fluviais, as de Monções do Norte.
 
Ao contrario dos lusos-paraenses que encontraram o vale do rio Madeira e os dos seus afluentes habitados apenas nações indígenas, os lusos-paraenses além dessas, encontraram o vale dos rios Guaporé/Mamoré, ocupados pelos espanhóis instalados nas províncias de Xiquitos e Moxos em 21 missões jesuítas habitadas por 33.290 indígenas, dos quais 460 aptos ao uso de armas de fogo, sob a administração de 42 padres e 3 irmãos leigos. 

As missões dos rios Baure e Itonomas eram guarnececidas por duzentos soldados em cada uma.  A de São Pedro capital da província de Moxos, situada na margem do rio Mamoré, a 330 km de sua foz, era residência do govenador, do padre visitador (Padre  diretor geral das missões espanholas de Chiquitos e Moxos) e dos padres avulsos itinerantes.  Possuia hospital bem aparelhado e guarnição militar dispondo de artilharia.  A de Exaltação de Santa Cruz, situada na margem do rio Mamoré à 198 km de sua foz, aldeiava 3.000 índios Cajubaba, dos quais 460 aptos a usar armas de fôgo.  As missões de Santa Rosa, São Miguel, São Simão e São Nicolau encontravam-se instaladas na margem direita do rio Guaporé, a qual os portugueses consideravam de sua propriedade.  A primeira aldeiava os índios Aricoroni foi fundada em 1740 prósima à foz do rio São Domingos pelos padres Atanásio Teodório e João Bran.  Foi destruida pelos portugueses em 1742, tendo os padres e os índios se mudado para margem esquerda do rio Guaporé, retornando a ser instalada em sua margem direita, a cem quilômetros acima da sua confluência com o rio Mamoré, aonde permaneceu até 1754.  A segunda, aldeiva 600 índios Morés sob as ordens do Padre Gaspar Praz, instalada em 1740 próxima à foz do rio São Miguel.  Ligava-se por caminho terrestre à missão de São Simão.  Foi destruida pelos portugueses em 1742.  Sendo reconstruida no mesmo local, pelo padre Gaspar e e forçado pelo Tratado de Madri a se retirar para margem esquerda do rio Guaporé, em 1750.  O padre Francisco Praiba administrador da missão a incendiou.  A terceira, fundada pelo padre Francisco Xavier, em frente a foz do rio Corumbíara, em 1746, abrigava 12.000 índios Moré.  Este padre foi substituído pelo padre Ramon Laynes, o qual a transferiu para o alto curso desse rio, em território português.  Ocasionou em 1751 perigoso litígio com os lusos-brasileiros, por estar recrutando índios da missão portuguesa de São José, do padre Agostinho Lourenço e dando guarida a deliquentes de Mato Grosso homíziados na ilha comprída do rio Guaporé.  sob ameça de ser atacado pelos portugueses, transferiu a missão em 1752 para as nascentes do rio San martins, habitada pelos índios Braure, em território espanhol, levando consigo 2000 índios.  A quarta, foi intalada pelo padre Felipe em 1740, no baixo curso do rio São Miguel afluente da margem direita do rio Guaporé.  Foi destruida pelos portugueses em 1742, sendo transferido para sua margem esquerda espanhola. 

O governo português a fim de oficializar da região e assegurar sua posse, criou nessa em 1743 o distrito de Pouso Alegre e em 1746 o município de Vila Bela da Santíssima Trindade, seguindo-se a criação em 1748 da capitania de Mato-Grosso e Cuiabá  desmembrada das capitanias de São Paulo e do Grão-Pará, sendo nomeado seu governador com título de Capitão General Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, este em 14 de Novembro de 1751 instalou em Pouso Alegre a capitania de Mato Grosso, denominando sua sede por Vila Bela da Santíssima Trindade providenciando a construção do pelourinho do cais do porto, da igreja, do quartel, palácio e de outros edifícios públicos necessários a administração.

Era preocupação do governador de Ter tudo organizado para receber e apoiara comissão luso-espanhola demarcadora de limites estabelecidos pelo Tratado de Madri (1750), tendo em mãos o relatório e mapeamento do levantamento cartográfico dos vales dos rios Amazonas e de seus afluentes no trecho compreendido entre Santa Maria do Belém-do-Grão-Pará e São Francisco Xavier (arraial aurífero) no alto Guaporé, realizando em 1749 pela comissão chefiada pelo sargento-mor Luiz Fagundes Machado, em cumprimento as ordens do governo da capitania do Grão Pará, João da Gama com vistas ao Tratado de Limites em discussão entre Portugal e Espanha.

Acompanhando Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, veio o padre Augustino Lourenço para se integrar aos dois padres enviados para alto Guaporé, por D. João V, com a incumbência de fundar missões a fim se conquistar a população indígena tornado-a aliada de Portugal. Fundaram em 1752 a missão de Casa Redonda frontal a foz do rio Corumbiara, transferindo-a em 1756 para a foz do rio Mequéns.

X - CAPITANIA DE MATO GROSSO E CUIABÁ - Criada em 1748 desmembrada das Capitanias de São Paulo e Grão-Pará (09 de maio de 1748).


CAPITANIA DE MATO GROSSO E CUIABÁ

A capitania de Mato Grosso e Cuiabá foi criada pelo Alvará Régio de 09 de maio de 1748, constituída em áreas territoriais desmembradas das capitanias de São Paulo e do Grão-Pará perfazendo uma área de 1.728.000 km, tendo os seguintes limites:

Ao Norte com a capitania do Grão-Pará assinalado por uma linha reta partindo de um ponto da margem esquerda do rio Araguaia, seguindo a direção do oeste até encontrar a margem direita do baixo curso do rio Teles Pires, descendo por este até a sua confluência com o rio Juruena, por este subindo até o ponto de prosseguimento da linha Araguaia/Teles Pires, em direção ao oeste até alcançar a cachoeira de Santo Antônio no alto curso do rio Madeira.

A Leste com a capitania Goiás tendo por limite o rio Araguaia a partir do ponto inicial da linha de limite com a capitania do Grão-Pará, subindo seu curso até a sua nascente.

A Sul com a capitania de São Paulo tendo por limite uma linha partindo da nascente do rio Araguaia até alcançar o alto curso do rio Paraná, próximo a confluência dos rios Paranaíba e Grande seus formadores.  Descendo o rio Paraná até num ponto do seu médio curso, do qual segue por uma linha até alcançar a margem esquerda do rio Paraguai, em seu médio curso.

Ao Oeste com as colônias espanholas, tendo por limites o rio Paraguai a partir do ponto terminal da linha limite sul com a capitania de São Paulo, subindo por este rio até o seu mais alto curso e daí por uma linha até alcançar o alto curso do rio Guaporé, por este descendo até sua foz no rio Mamoré, por este descendo até sua confluência com o rio Beni, originando o rio Madeira, por este prosseguindo até a cachoeira de Santo Antônio, a primeira do seu curso, no sentido foz/nascente.

Foi escolhida para sua sede administrativa (capital), em 1761 a cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade ex-município de Pouso Alegre criado pela Provisão Régia de 1746, elevado do distrito com essa denominação, criado pela Provisão Régia de 1743.

Em 26 de julho de 1748, foi escolhido Dom Antônio Rolim de Moura, para governá-la, ocorrendo sua nomeação pela Carta Patente de 25 de setembro de 1748, para os cargos de governador e capitão-general.  Governou a capitania no período de 1748 a 1763.

Fonte: Abnael Machado de Lima
Membro da Academia de Letras de Rondônia

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