Camponeses querem legalizar posses no Pará

15/01/2011 - 15:10

 

Famílias acampadas em um pedaço do latifúndio abandonado no Araguaia vêm sendo vigiadas por jagunços /FOTOS RESISTÊNCIA CAMPONESA
Famílias acampadas em um pedaço do latifúndio abandonado no Araguaia vêm sendo vigiadas por jagunços /FOTOS RESISTÊNCIA CAMPONESA

 
 

EPAMINONDAS HENK
Amazônias

 

CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA, Pará – Cerca de setenta famílias organizadas pela Liga dos Camponeses Pobres do Pará e Tocantins esperam para brevemente a possibilidade de legalizarem suas posses dentro do latifúndio conhecido por Santa Maria Oriente, no município de Conceição do Araguaia.

 

Quando entraram nas terras, no começo do mês de dezembro do ano passado, os camponeses encontraram a área completamente abandonada. Até mesmo a sede da fazenda havia sido alugada para uma mineradora que faz pesquisas próxima à área ocupada.

 

O latifúndio é vizinho da Área Gabriel Pimenta, cuja tomada organizada pela LCP permitiu o corte de lotes para atender a 94 famílias, que agora produzem para o sustento, a exemplo das famílias de vítimas e outros camponeses da Fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara, em Rondônia.

 

Consultada, a Ouvidoria Agrária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) Conceição do Araguaia, os camponeses do “Gabriel Pimenta” têm 99% de chance de conquistarem a legalização definitiva de suas posses.

 

Esta semana a LCP denunciou que os camponeses viram homens, supostamente pistoleiros, usando uniformes da mineradora para se passarem por funcionários. Usam coletes à prova de bala e rondam as vizinhanças do acampamento. “Alguns deles já ameaçaram os camponeses da região para que não nos apóiem”, afirma uma nota da LCP.

Luiz Lopes levou a LCP para atuar no Sul do Pará. Foi asssassinado. Acampamento presta-lhe uma homenagem
Luiz Lopes levou a LCP para atuar no Sul do Pará. Foi asssassinado. Acampamento presta-lhe uma homenagem

 

Ainda conforme a denúncia, esses supostos jagunços insistem em identificar quem são as lideranças, seus nomes e onde moram. Em seguida, afirmam que vão expulsar os camponeses da terra e matar as lideranças.

 

Sem providências

 

A denúncia da LCP foi encaminhada ao superintendente do  Incra em Conceição do Araguaia e à Delegacia de Conflitos Agrários em Redenção. Nem representantes dessa delegacia ou do Incra apareceram na área, no dia 24 de dezembro, para apurar as primeiras denúncias.

 

“Estamos decididos a lutar por nossos direitos e cansados de ouvir as promessas do governo. Estamos organizados: as famílias se dividiram em grupos, cada um deles com responsáveis pelas tarefas coletivas, em cada um deles funciona uma cozinha coletiva”, diz a nota da LCP. O acampamento camponês ganhou nome: Luiz Lopes, em homenagem a um militante assassinado em 2009.

 

Em 2005, Lopes reunia antigos e novos camponeses do Araguaia e organizava a coordenação da LCP, cujas bandeiras abraçou, encorajando a luta das famílias que ocupavam terras nas fazendas Jacutinga, Talismã e Capivara (Área Revolucionária Gabriel Pimenta). Essas famílias travaram a luta pela Fazenda Forkilha, que mexeu na estrutura latifundiária no sul do Pará.

 

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